Titãs: inédito pra quem nunca viu*

Vim morar na capital do Rio Grande do Sul no final de 2005, um pouco depois que o auditório Araújo Viana foi fechado devido a desgastes e afins em sua estrutura – o local foi reaberto ano passado e de espaço público passou a ser administrado pela Oi Entretenimentos. Antes mesmo desse feito, já ouvia amigos e conhecidos comentando a respeito de shows realizados na casa; segundo reza a lenda, quase que metade da história do rock gaúcho aconteceu ali. Os Titãs não foi a primeira banda que vi lá, mas foi a primeira de grande renome e confesso que estou ainda tentando me ajustar tanto quanto a casa quanto ao conjunto.

Na noite dessa sexta-feira o auditório desfavoreceu a banda. O som reverberava na estrutura metálica assim que os Titãs começaram a tocar suas músicas desconhecidas – tiro o chapéu pela proposta, apresentar músicas inéditas, ainda não gravadas, afim de sentir com o público a receptividade de cada uma delas, não é pra qualquer um. O grupo subiu ao palco com empolgação, afim de mostrar suas novas melodias, porém, a plateia mostrou-se um tanto quanto arredia.

Tá, mas e o que são essas novas canções da banda? Sinceramente, é o Titãs sendo Titãs. Deu até pra sentir um pouco do peso do Cabeça Dinossauro em meio as novas canções. Guitarras atravessadas, bateria pegada e letras que ou te instigam, ou falam do cotidiano ou divagam sobre protestos vários. Acredito que o disco que pretendem gravar ano que vem será bem melhor do que alguns dos últimos trabalhos que fizeram.

Conforme anunciado no inicio da apresentação, após as dez canções inéditas, ouviram-se acordes das mais clássicas canções do rock nacional. Bichos, Flores, Sonífera Ilha, entre outras famosas fizeram os presentes levantarem-se e cantar. Ai sim a coisa toda começou a parecer um show de ROCK! No meu parecer: gostei de algumas das inéditas, principalmente da “Não Pode” – combinou com o local! – mas o que deu gosto de ver mesmo foi a galera de pé, cantando junto: “Marvin, a vida é pra valer/ Eu fiz o meu melhor/ E o seu destino eu sei de cor”…

Resumindo: foi metade bom, metade ruim. Como tudo na vida. Mas além disso, foi Rock n’ Roll… e a intensão é que vale.

*Frase original de divulgação do espetáculo Tangos e Tragédias – http://pt.wikipedia.org/wiki/Tangos_%26_Trag%C3%A9dias

Texto: Ana Beise

Fotos: Ana Beise

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