Dica 4oldtimes: Sweet Pickle Salad

Dica 4oldtimes: Sweet Pickle Salad

Faz um tempo já desde a última vez em que fiz uma Dica 4oldtimes aqui no site da rádio. Na dica em em questão, recomendei a vocês a banda Horisont, um hard rock  sueco com uma forte influência setentista (Se quiserem conferir, cliquem aqui). Hoje, todavia, vamos deixar o peso de lado e falar de algo mais progressivo, mais viajado e antigo. Vejam bem, não vou falar sobre uma novidade, mas sim sobre uma raridade. Trata-se de Sweet Pickle Salad, um projeto de Chris Robinson (vocalista dos Black Crowes) lá dos idos de 1993. Ele circula pela internet em forma de bootleg e nunca assumiu um caráter muito oficial, já que só teve um disco gravado. De qualquer forma, vale muito a pena dar uma explorada nessa pérola esquecida. Quem curtiu as aventuras de Chris no Chris Robinson Brotherhood, certamente vai apreciar este ótima Sweet Pickle Salad.

Porém, antes de falar sobre o projeto, cabe discorrer um pouco sobre os Black Crowes. Não consigo lembrar direito sobre como começou a minha relação com os Black Crowes, mas até aí, isso é bastante normal. A partir dos meus, sei lá, 17 ou 18 anos, comecei a correr atrás de bandas até então desconhecidas para mim. Juntei muitas músicas dos mais variados grupos e artistas e me pus a escutar. Provavelmente os Crowes entraram por aí, embora eu só tenha realmente passado a prestar a atenção que lhes era devida por influência de um grande amigo.

Esse meu camarada é um fã de carteirinha da banda dos irmãos Robinson, já foi em show dos caras, comprou DVD, camiseta – essas coisas de fã. Nos conhecemos lá por 2009 e logo de cara começamos a trocar figurinhas sobre música, coisa que fazemos até hoje (ele, inclusive, me auxilia com o meu blog). Numa dessas, o cara me apresentou para uma faceta dos Black Crowes para a qual eu, até então, não havia prestado atenção: seu caráter de jam band, com versões estupendas executadas ao vivo. Aquilo meio que foi uma revelação para mim.

Numa dessas conversas, meu amigo me apresentou um projeto paralelo de Chris Robinson que durou muito pouco tempo: apenas uma sessão. Para quem pensa que o formato de canções apresentados no Chris Robinson Brotherhood é uma coisa nova na cabeça do vocalista, está muito enganado. Lá em 1993, numa sessão de estúdio que ocorreu antes mesmo do disco Amorica (cuja capa é a melhor dos Crowes) surgir, veio ao mundo o Sweet Pickle Salad.

Junto de Chris Robinson (vocais) estão Marc Ford (ainda guitarrista dos Crowes na época, cuidando da guita solo), Craig Ross (da banda do Lenny Kravitz, guitarra base), Andy Strummer (Jellyfish, bateria), Jimmy Ashhurst (Ju Ju Hounds, baixo) e Roger Manning (também da Jellyfish, teclado). Segundo o próprio Robinson, as canções “soam como um cruzamento entre CSNY e Pink Floyd: todas as canções têm 10 minutos”. Ainda que não seja bem por aí (só One Man’s Anger tem quase 12 minutos, as outras não chegam a nove), há algo de verdade nas declarações de Chris. Pequenos elementos nos remetem ao belo folk rock Crosby, Stills, Nash & Young; à psicodelia de Pink Floyd; e às jams de bandas como Grateful Dead.

Sweet Pickle Salad é composto por 4 músicas (clique no título das faixas para ouvi-las): One Man’s Anger (11:47), Limits (ou ‘Can’t Let Go’) (8:26), Clothes And Food (ou ‘Cry To Me Softly’) (6:19) e State Of The Notion (7:17). Apesar da duração de “One Man’s Anger”, que pode parecer intimidante (ao menos para mim), ela não é uma canção que se arrasta, constituindo-se bastante naturalmente com um bom andamento. Já “Limits” é um bom exemplo de música que poderia muito bem ter sido gravado pelo Black Crowes: ela alterna entre momentos de uma suavidade folk, com uma flauta adocicando a vida, com  pegadas progressivas e, em certos momentos, até mais aproximadas de um hard rock mais setentista. “Clothes And Food” é, na minha opinião, o ponto alto do disco – além de ser marcada por um belo solo de Marc Ford [o de chapéu na foto acima]. O encerramento fica por conta de “State of The Notion”, uma canção mais up tempo e com bastante espaço para experimentações progressivas.

O instrumental é todo bem amarrado, redondinho, sem nenhum exagero ou exibicionismo, e abre espaço para uma voz de um ainda jovem Chris Robinson – que pelo menos neste álbum não me parece fazer tanta força para ser um novo Rod Stewart como nos primeiros discos dos Black Crowes. Ford, como de costume, tem solos pontuais e orgânicos, que se encaixam muito bem à estrutura rítmica da música, mantida com competência por Craig Ross, Andy Sturmer e Jimmy Ashhurst. A real sobre Sweet Pickle Salad é que ele deixa um gosto de “quero mais” nos nossos ouvidos. As quatro canções somam pouco mais de 30 minutos – meia hora esta que nos transporta para o futuro (atual presente), anos a frente de 1993, onde os Black Crowes assumem uma postura menos “hard rock” em seu som.

Rádio Putzgrila

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