Sarau Elétrico – Uma noite de pecados…

As noites de verão em Porto Alegre já são conhecidas mundialmente por serem extremamente calmas. E cá estou, nessa cidade que parece um forno (ou um deserto, já que além de quente está praticamente vazia), procurando alguma distração quando me deparo com o convite para o Sarau Elétrico. E mais, Sarau Elétrico com o tema ‘pecado’ e canja musical com Jimi Joe e Wander Wildner. Imperdível!

Tenho que confessar: faz oito anos que moro aqui, dois que habito próximo ao Ocidente, onde todas as terças é realizado o Sarau, e nunca havia, apesar de adorar poesia, me feito o favor de estar presente em alguma edição. A noite de ontem foi cheia de descobertas e constatações agradáveis. A primeira é a de que apesar de haverem poucas pessoas na cidade, várias das que aqui estão gostam de boa música e literatura. Cerveja gelada, Ocidente cheio (nota mental: eu deveria ter chego mais cedo pra pegar uma dessas mesas com castiçal feito de garrafa, da próxima vez já sei), clima descontraído, vamos a poesia.

Luís Augusto Fischer começou os trabalhos da noite lendo um conto de Nelson Rodrigues que versava sobre uma mulher que acreditava que poderia amar mais de um homem ao mesmo tempo. Cláudio Moreno, Diego Grando e Katia Suman intercalaram com o professor poesias e textos sobre pecados diversos, como a própria luxuria (isso é, se pudermos considerar o fato de amar mais de uma pessoa um pecado… e se for, seria esse pecado apenas a luxuria?), gula, preguiça… Palavras para rir e para pensar. Sabemos que algo foi bom quando não sentimos o tempo passar e o instante acaba antes de percebermos. Assim foi, quando me dei conta de que todos os poemas já tinham sido lidos e Jimi Joe e Wander Wildner tomavam as banquetas e microfones a fim de transformar poesia em música.

E assim o foi. Cantaram, conversaram, tocaram. Acredito que quem estava presente não se arrependeu nem um pouquinho de sair numa terça de janeiro na calorosa capital dos gaúchos. Muito pelo contrário, fomos agraciados por belas (e lascivas) palavras e embalados por canções tão belas quanto. Uma até esta na minha cabeça até agora, diz mais ou menos assim: “quem sabe eu bebi, quem sabe eu estou louco/ quem sabe eu te ame, meu amor seja pouco/ quem sabe de nós, o que acontecerá/ o que será o que será…

Texto: Ana Beise

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