Resenha: Joe Bonamassa – An Acoustic Evening At The Vienna Opera House


Joe Bonamassa é um nome que tem se tornado cada vez mais comum aos ouvintes de blues e de rock. O cantor e guitarrista nascido em New Hartford, no final da década de setenta, vem produzindo muito ultimamente, lançando praticamente um álbum solo a cada ano. Além disso, ele também sabe se relacionar: sua primeira (e menos conhecida) banda foi a Bloodline, onde tocou com os filhos de Berry Oakley, Miles Davis e Robby Krieger; também formou o supergrupo Black Country Communion junto com uma lenda do rock, Glenn Hughes, o tecladista Derek Sherinian (ex-Dream Theater) e Jason Bonham na batera. Não bastasse isso, no ano passado ele ainda lançou um baita disco junto com Beth Hart, uma moça aí que mostrou que tem voz para alçar vôos maiores na carreira. Neste ano, ele atacou com uma produção ao vivo, An Acoustic Evening At The Vienna Opera House.

O estilo de Joe, todavia, sempre foi calcado no forte trabalho de sua guitarra, usando e abusando de efeitos dos pedais. Na contramão dos britânicos que surgiram nos anos 60 e 70, Bonamassa era um americano cujas influências vinham da terra da Rainha. Os sons de Clapton, Jeff Beck e Rory Gallagher ajudaram a moldar seu jeito de tocar, que se aproxima, normalmente, muito mais do rock do que daquele blues mais puro, mais “americano”. Isso tudo torna o seu novo tento algo um tanto quanto inusitado. O cara, de certa forma, abriu mão justamente daquelas coisas que forjaram seu estilo e abraçou um set completamente acústico, que o levou para o lado do estilo conhecido como “americana” (Esta é uma definição que junta uma série de gêneros, como folk, country, blues, etc., que representam as raízes da música norte-americana). Como ele já explicou, todo o conceito do show foi bolado já na época de sua participação no Montreux Jazz Fest e acabou se estendendo para essa participação na tradicional casa de música erudita, a Vienna Opera House.

Produzido por Kevin Shirley (que já trabalhou com Led Zeppelin, Iron Maiden, Rush, entre outros), e contando com sua banda de apoio tradicional, além do sueco Mats Wester (nyckelharpa) e com o violinista irlandês Gerry O’Connor, An Acoustic Evening At The Vienna Opera House se tornou, para mim, um sucesso instantâneo. Como fã do lado mais acústico, direto e sincero de Bonamassa sempre desejei vê-lo fazer um disco inteiro voltado para uma música de raiz.

A famigerada (e bizarra) nyckelharpa, instrumento tradicional da Suécia.

Os arranjos foram todos muito bem feitos, dotados de muito bom gosto e executados com perfeição. Desde a abertura, com o tema Arrival, cria-se um clima muito bacana e aconchegante. O primeiro clímax, que vem com uma empolgação enorme, se dá com Athens to Athens, que também foi o vídeo de divulgação da obra (clique AQUI para assistir). The Ballad Of John Henry, uma das músicas mais tradicionais de Bonamassa, também recebeu uma versão digna de nota. Mas o que chama atenção é que a ida da guitarra elétrica para a acústica também permitiu que a voz de Joe tomasse uma centralidade fundamental. Seu potente timbre sempre foi reconhecido e apreciado, mas agora, embalados pela suavidade dos arranjos acústicos, ele pode se expandir, produzindo um efeito belíssimo, como na música Driving Towards The Daylight (que também dá o título a seu disco anterior, do ano passado).

Alguns outros destaques ficam por conta de músicas que não são de autoria, como a matadora Jockey Full Of Bourbon, de Tom Waits, e a bela Stones In My Passway, de Robert Johnson. Aliás, ente estas duas canções há a sensível Richmond, de autoria de Bonamassa e Mike Himelstein. Outra faixa que merece destaque também advém de uma parceria, desta vez com Will Jennings: Mountain Time soa como um tema que poderia muito bem ter saído de um álbum esquecido do Lynyrd Skynyrd ou dos Allman Brothers. O encerramento dos trabalhos fica por conta de Seagull, música que tem um trabalho sensacional de violino por parte de Gerry. Quando tudo termina, a gente se encontra pasmo. Há uma descrença que aquela noite maravilhosa tenha realmente acabado (ou sequer existido, tamanha a mágica da apresentação) misturada com um desejo voraz por mais. Assim, fica aqui a nossa esperança para que Joe Bonamassa faça mais coisas como esta daqui pra frente.

Texto escrito por: Ismael Calvi Silveira.

Related posts

2 Thoughts to “Resenha: Joe Bonamassa – An Acoustic Evening At The Vienna Opera House”

  1. terá show dele no Rio tb, dia 11/08.

  2. Tem show dele dia 08/08 no HSBC e não está cheio, consegui pegar mesa sozinha semana passada e até agora não tem mais ninguém na mesa. Tenso, acho que tem muita gente que não liga as músicas à pessoa, ele tem um público bem segmentado. Teve pouquíssima divulgação, nem no songkick tem o show dele. Eu mesma encontrei por sorte, estava pesquisando outros e encontrei um blog falando do show dele.

    A musicalidade que vou ouvir no show de amanhã, mesmo com esta quantidade enorme de shows de rock que vão rolar entre agosto e setembro, capaz que o show dele seja o mais rico musicalmente. Se ele deixar expostos todos aqueles instrumentos no palco como no Viena Opera House será uma experiência mágica.

    Abração,
    Tati Almeida

Leave a Comment

dois × dois =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.