Primeira noite de Morrostock foi de som pesado e roupa suja

A abertura do Morrostock não poderia ser diferente: teve barulho de qualidade, barro e diversão.  Companheira do festival há algumas edições, a chuva deu as caras durante a tarde e começo da noite de sexta-feira, 4 de outubro, transformando o sítio Picada Verão, em Sapiranga, numa espécie de Woodstock do capeta. Em meio ao terreno pantanoso, hordas de roqueiros e suas roupas pretas circulavam para cima e para baixo – literalmente, já que o terreno do local tem um declive –, dividindo-se entre o palco da primeira noite de som pesado e o espaço a céu aberto do local.

Quem abriu os serviços, por volta das 22h45min, foi a Change Your Life, formada por uma rapaziada de cidades distintas da região metropolitana de Porto Alegre. Deram o recado  rápidos e rasteiros, mostrando seu power violence/trashcore num set de aproximadamente 15min. Em seguida, foi a vez da Take a Number, prata da casa, apresentar um hardcore com boas doses de melodia.Na sequência, Os Torto, da Capital, entraram em ação com seu punk rock pirracento. Por cerca de meia-hora, fizeram uma performance redondinha, apresentando um instrumental pegado com letras espertas e debochadas. A Mundano, também de POA, assumiu o palco logo depois. O que se viu foi um quinteto entrosado, mandando um som pesado e enérgico alternado por passagens mais melódicas.

A grande atração da noite, O Ratos de Porão, apareceu em seguida, por volta da 1h20min, pouco antes do horário previsto  no cronograma (1h45min). Com 33 anos de estrada, os tiozinhos arregaçaram e, mais vez, comprovaram por que são um dos grandes nomes do cenário hardcore mundial. Com um desempenho preciso, às vezes até pragmático demais, o quarteto paulista apostou num repertório que priorizou a fase 80/90 de sua carreira. Não faltaram crássicos como ‘Agressão/Repressão’, ‘Mad Society’, ‘Sofrer’, ‘Velhos Decrépitos ‘, ‘Crucificados Pelo Sistema’, ‘Beber Até Morrer‘, entre outros.

Após uma pausa para a troca de equipamento mais demorada do que as anteriores, os cariocas da Confronto entraram em cena. Com seu metalcore nervoso e bem tocado, o grupo deu continuidade à desgraceira iniciada no show do  RDP.  Por questões logísticas – leia-se para não perder a van da excursão –, o escrivinhador deste texto teve de retornar para Porto Alegre antes das bandas Homem Bala (Gravataí) e Indigentes (POA) se apresentarem.

Sobre o evento, algumas considerações. A primeira delas é que, apesar de muito atenciosos e solícitos, parte da equipe parecia perdida em alguns momentos. Sobrava boa-vontade, mas faltavam informações e agilidade. Outra é que não havia água para vender, sabe-se lá por qual motivo. No geral, não há do que reclamar. A estrutura do espaço é bacana, havia banheiros químicos bem cuidados espalhados pelo lugar e os segurança  eram todos muito educados. Que venha a segunda noite de peso do Morrostock 2013!

Todas as fotos por (CCBY-SA) Rede Brasil de Festivais.

Mais fotos em http://www.flickr.com/photos/redebrasil/

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