Pela moldura da janela, Os Amanticidas cantam solidão cotidiana em “Teto”

Desde 2012, Os Amanticidas vem se firmando como um dos principais expoentes pós Vanguarda Paulista. O grupo formado por Alex Huszar (baixo), João Sampaio (guitarra), Joera Rodrigues (bateria) e Luca Frazão (violão de 7) carrega no nome – inspirado na canção “Amanticida”, de Itamar Assumpção – e na sonoridade a influência do movimento de abriu uma fresta profunda na musicalidade nacional. Tendo parcerias com Tom Zé, Arrigo Barnabé, Maurício Pereira, Ná Ozzetti e Alzira E. no currículo, em suas canções temas cotidianos são abordados com melancolia e humor ácido: são, ao mesmo tempo, pessoais e comuns.

Depois do lançamento do auto intitulado disco de estreia (2016), produzido por Paulo Lepetit, e do EP “No Meio do Aglomerado” (2018), Os Amanticidas retornam com seus arranjos instrumentais misturados a elementos das mais diversas linguagens musicais com o álbum “Teto”, disponível nas principais plataformas digitais. Produzido por Fernando Catatau (Cidadão Instigado) e contando com participações de Alzira E. e Juçara Marçal, “Teto” carrega a um só tempo um desenvolvimento musical e uma expansão temática em relação a seus antecessores.

Enquanto antes eram evocados os espaços urbanos como palco para as angústias pessoais, “Teto” parte do ambiente particular, da solidão de quem observa pela fresta, para comentar uma gama mais diversa de assuntos (paixão, abandono, família, vingança, urbanicidade e até futebol). Bom exemplo de algumas dessas imagens está na faixa “Paisagem Apagada”, que conta com a voz de Juçara Marçal para traçar um percurso que vai da janela de uma casa até a paisagem vazia derivada do processo de gentrificação. Foi minha distração/ sou eu que sou culpada/ Agora condenada assistir/ o desmonte do meu mundo.

“Parado Deitado Travado”, canção já lançada como single, mostra os ares niilistas do álbum em um diálogo absurdo, insone, angustiado e bem- humorado entre uma pessoa e o teto de seu próprio quarto costurado por convenções e interlúdios, características da sonoridade d’Os Amanticidas. São oito canções autorais e uma inédita de Itamar Assumpção e Alzira E., “Atropelado”, cedida por Alzira para que fosse arranjada pela banda e ganhasse seus contornos de cordas que emolduram a letra sagaz que narra mais um acidente rápido e trágico em qualquer cidade de qualquer lugar.

“Teto” será apresentado ao vivo no dia 13 de fevereiro, quinta-feira, no Itaú Cultural, em São Paulo. O espetáculo começa às 20h e tem entrada gratuita. O show contará com as participações especiais de Alzira E. e Ná Ozzetti, direção de arte de Pedro Zylberstajn (autor da capa, projeto gráfico e co-diretor do clipe de uma das faixas), iluminação realizada por Olivia Munhoz e engenharia de som por Nicholas Rabinovitch.

Serviço
Os Amanticidas – lançamento “Teto”
Participações Ná Ozzetti e Alzira E.
Dia: 13/02
Horário: 20h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre
Duração: 80 minutos
Sala Itaú Cultural
224 lugares
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô – SP

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