O Rock na Minha Vida #09 com Iran Rosa

O Rock na Minha Vida #09 com Iran Rosa

“O Rock na minha vida” surge para fazer um resgate da memória, de momentos que marcaram a vida de um amante do rock. Quem não se lembra do primeiro disco de rock que ouviu, do primeiro álbum que escutou inteiro, da primeira discografia, do primeiro “air guitar”, do disco que mudou sua percepção sobre o rock…? São algumas lembranças imortalizadas pelo estilo que amamos, o ROCK!

Iran Rosa, dj, artista gráfico, arquiteto e urbanista, ex-locutor da Rádio Putzgrila, contou durante os anos 2011 a 2013 a história do rock brazuca no programa semanal “RockBR”.

1º disco que ouviu de rock

Cara, faz tempo isso… não só o rock, mas vários estilos musicais fazem parte da história da minha vida e das minhas melhores lembranças. Aqui, puxando a massa cinzenta, lembro de ouvir na eletrolinha das minhas primas aqueles bolachões pesados e em capa dura do Elvis Presley dos anos 60. Com menos de 10 anos (início dos anos 70) já sabia (ou achava que sabia) a letra completa de Jailhouse Rock e Blue Suede Shoes, que até hoje embalam muita festa por aí.

1º disco de rock que ouviu inteiro

Em sã consciência: Raul Seixas, “Krig-ha, Bandolo!” (Philips, 1973). Ouvi inteiro e um milhão de vezes. Com 10 anos vivenciava o grande momento de Raulzito e sua sequência de sucessos impressionantes naquela década!
Sem consciência, estava ouvindo rock há tempos no toca-discos do meu primo, que tinha todos os álbuns dos Beatles. Meu preferido ainda era o Yellow Submarine (EMI, 1969) por causa também dos desenhos animados. Logo mais, comecei a sacar mais da metamorfose ambulante e da sociedade alternativa, e os quatro garotos de Liverpool me mostraram mais do que o sacolejo do rock’n’roll e, sim, alguma coisa de se pensar, agir e ativar todos os sentidos in the sky with diamonds.

1ª discografia completa

Jethro Tull. Completa é modo de dizer. Muito difícil essa missão nas condições econômicas nunca muito favoráveis e a dificuldade de importação ou de aquisição de certos bolachões naqueles anos 70 e 80. Enfim. Em 1990 fiz uma contagem é vi que Jethro Tull já tinha lançado 22 álbuns (18 de estúdio), e eu tinha 11 originais ingleses. Achei que era uma marca notável na minha biografia. Após o advento do CD, isso ficou mais fácil. Mas com a internet, pude realizar meus mais secretos desejos de discografias completas, devidamente catalogadas.

Air guitar
Bah! O repertório é vasto! A primeira deve ser Beatles, “Helter Skelter” (in White Album, Apple, 1968), no mínimo.

Um disco que mudou tua percepção sobre rock

Eu gravava as fitinhas K7 direto no toca-discos Philips do meu primo e ele era mestre na seleção para fechar a fita sem corte no fim ou espaço vazio, preservando o álbum original o melhor possível. Uma vez gravou a meu pedido o “Crime of The Century” do Supertramp (A&M, 1974) e sobrou um canto no final da fita que ele botou um som que eu não conhecia: Aqualung (Jethro Tull, in “Aqualung”, Island Records, 1971). Eu ouvia aquela fita só para esperar esse finalzinho. O que era aquilo?! Semanas depois o encontrei e conheci o que veio a ser a banda que melhor me identifiquei na história. Jethro Tull abriu os caminhos para minhas profundas descobertas no rock progressivo. E não foram poucas. Naquela tarde, conheci o disco que mudou minha percepção sobre rock, novinho, recém desempacotado: Jethro Tull, “Too Old to Rock’n’Roll: Too Young to Die!” (Chrysalis, 1976).

Qual disco indica pra quem está começando que é discografia básica
Olha. A pergunta mais difícil de responder. Depende da criatura que vai ouvir. O rock é muito vasto e rico em variantes, que dá para se fartar. Se o negócio é mandar um som eletrizante: AC/DC “TNT” (Albert, 1975). Se o lance é curtir uma viagem: Yes – “The Yes Album” (Atlantic, 1971) e Pink Floyd – “Pulse” (EMI, 1995). Um rock marcado e instigante, histórico e notório: The Who – “Who’s Next” (Track, 1971). Guitarra magistral e competente: Jeff Beck – “Guitar Shop” (Epic, 1989) ou todos do Jeff. Blues para viagem: Eric Clapton e B.B.King – “Riding with the King” (Reprise, 2000). Quer peso na minha medida: Black Sabbath – “13” (Vertigo, 2013…) Tudo de Jimi Hendrix e Janis Joplin. E para saber mais: ouve a Putzgrila!

Que disco recomenda pra quem não gosta de rock
Disco voador com passagem só de ida para outra galáxia!
Ou vai ouvir tudo que tá nessa entrevista aqui, rapá ou guria!
Na boa. Se ainda assim não se ligou no rock, não custa pelo menos saber mais a respeito: assiste o filme “Loki – Arnaldo Batista” (2008) e ouça o disco homônimo, o filme “Piratas do Rock” (The Boat That Rocked, título original, 2009) e se divirta com a alma rocker, o filme “Hair” (1979) e saiba alguns ‘porques’ da contracultura dos anos 60, e o filme Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni (1970), uma obra-prima para flutuar no universo psicodélico do rock.

É isso aí.
Let’s rock!
Paz e Amor, bixo!
#FiqueEmCasa

Rádio Putzgrila

A Putzgrila é um veículo de rock consolidado na internet, com mais de 13 anos de programação ao vivo, transmissões de festivais, notícias, lançamentos e cobertura de shows nacionais e internacionais.

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