O Rock na Minha Vida #07 com Juann Acosta

O Rock na Minha Vida #07 com Juann Acosta

“O Rock na minha vida” surge para fazer um resgate da memória, de momentos que marcaram a vida de um amante do rock. Quem não se lembra do primeiro disco de rock que ouviu, do primeiro álbum que escutou inteiro, da primeira discografia, do primeiro “air guitar”, do disco que mudou sua percepção sobre o rock…? São algumas lembranças imortalizadas pelo estilo que amamos, o ROCK!

Juann Acosta apresenta a Live do Fim do Mundo (De quartas à Domingo, das 21h às 24h)

Eu poderia ficar zanzando nas lembranças e ver qual momento seria o mais propício pra ser a entrada do Rock na minha vida. Mas acho que foi tudo culpa da Pepsi. Eu nasci em Porto Alegre em 82 e logo fomos morar em Caxias do Sul (terra da minha mãe). Meu chip de memória com o Rock me remete a um início aí em Caxias. Primeiramente por ser onde eu, bem criança, vi o clipe de Thriller do Michael Jackson no Fantástico (num televisor Philco preto e branco que se esfarelou de tanto jogar ATARI nele com meu irmão Julian Acosta). Aquele clipe tinha algo de assustador e, ao mesmo tempo, algo de hipnótico e cativante que me impactou muito. Logo veio uma promoção da Pepsi com um vinilzinho com 4 músicas do Michael Jackson (entre elas tinha Thriller). Eu e meu irmão ouvíamos muito aquilo e achava uma mistura de pop com filme de terror que era muito diferente do que a gente conhecia até então.

Uns anos depois nós voltamos pra Porto Alegre e a cada tanto íamos para a cidade da minha família materna. Numa dessas idas, nosso primo Fábio nos chamou pra sentarmos do lado do armário onde eles tinham um 3 em 1 e nos mostrou pela primeira vez alguns discos aleatórios que ele tinha: 1984 do Van Halen, The Number of the Beast do Iron Maiden e o volume IV do Led. Ele gravou numa fita alguns desses sons pra mim e meu irmão e ouvimos muito aquele frenesi sonoro no nosso retorno à capital. Acho que o disco do Iron tinha algo que despertava o mesmo clima de terror do Thriller com um pouco mais de profundidade, afinal, aquilo era algo bem mais pesado que o flerte ocultista do King of Pop.

Logo meu irmão começou a fazer amizades com a galera do Jardim Ypu, nosso bairro de criação, e passou a trazer mais coisas musicais pra casa. Foi aí que começamos a descobrir outros discos do Iron Maiden, do Metallica, Megadeth. Logo meu irmão e seus amigos passaram a ouvir sons mais pesados, Thrash Metal e Death Metal. Eu precisava encontrar alguma banda que fosse algo que não fosse por influência da “galera mais velha” (eu sou o irmão caçula). Nesse meio tempo, numa das viagens a Caxias, meu primo me disse que tinha algumas músicas de um disco que era de uma banda chamada Black Sabbath mas com o vocalista de uma outra banda, o Deep Purple – o Born Again. Ele me gravou os primeiros 4 sons do disco e eu tive a mesma sensação mista de peso e terror que eu senti quando criança ao ouvir Thriller. Passei anos querendo aquele disco, pois ele ainda não tinha sido lançado no Brasil. Depois de um tempo, meu irmão me fez a gentileza de comprar uma versão alemã do CD do Born Again que ele achou na loja Megaforce. Foi um vicio inesquecível. 

Eis que os CDs se popularizaram no mercado e pude comprar o Masters Of Reality do Black Sabbath. Mal eu sabia que aquele disco, ainda que não seja tão grandioso como o Paranoid, era o disco mais pesado da primeira fase da banda. PIREI DE CARA. Passei a ouvir Sabbath e virei mega fã da fase Ozzy.

Assim aconteceu meu contato com o Rock via amigos do meu bairro. Os metaleiros do Ypu.

Alguns anos depois, tive uma outra abertura importante para o Rock. E foi através da minha irmã uruguaia, a Rossana Acosta, primeira filha do primeiro casamento do meu pai, em Montevidéu. Ela me perguntou um dia ¿No conocés Rock en español? ¡Vení que te muestro un disco! Ela colocou o disco El Amor despues del Amor do Fito Paez e eu simplesmente fiquei encantado com todo um universo musical que, até então, eu nem imaginava que existia. Nessa época eu já tinha uns 14-15 anos e pensava que meu caminho musical seria pelo pop, não pelo metal do Ypu.

Eu nunca toquei numa banda de metal, mas sempre gostei e admirei o trabalho das bandas dos meus amigos do bairro que fizeram parte de bandas que se tornaram bastante conhecidas na cena da cidade, como Panic, It’s All Red e Rebaelliun, que hoje é mundialmente conhecida e respeitada.

Meus primeiros flertes musicais em composição tinham o intuito de ser pop. Eu queria tocar na rádio, não tava na pilha de ficar tocando pros cabeludos que fritavam nos shows dos “Barfim” e “João” da vida. Logo entrei na faculdade e passei a ouvir outras coisas. Conhecer os cigarrinhos dos artistas e bandas mais loucas e psicodélicas dos anos 60. Foi aí que montei uma banda com um colega de faculdade chamada Eric Van Delic. A banda durou de 2004 a 2007. Quando eu já tava meio que desistindo da música e pensando mais no caminho da faculdade de Letras.

Eis que um dia um amigo leva um disco dessa minha banda na Ipanema FM pra tocar, em meados de 2010. Ele fez questão de tocar um som meu do disco: “Milonga de Eric” (uma milonga psicodélica e meio eletrônica que eu gravei toscamente no meu computador de tela e teclado branco). No outro dia me liga um cara que eu gostava do som mas nunca tinha conhecido pessoalmente: Plato Divorak. Ele queria colocar a Eric Van Delic numa coletânea que ele queria lançar. Eu aproveitei a chance e disse:- Plato! Vamos gravar um som juntos?

Ele ficou desconfiado no início, mas logo que eu fui busca-lo na protásio e ele avistou aquela pedreira enorme na frente dele em pleno Morro Santana, ficou maravilhado com a vista aqui do bairro. Começou a frequentar minha casa todo sábado e, em poucos meses gravamos um disco inteiro chamado Platodelic (mistura de Plato Divorak com Eric Van Delic). Ele começou a levar esse disco pra tocar na Ipanema FM, no programa Chimia Geral do Fábio Godoh. Chegou um dia que o Fábio quis me conhecer. Fui no programa dele e nos tornamos amigos de imediato. 

Depois que eu achei que ia ficar na minha, dando aula de idiomas, me vi rodeado de roqueiros de novo em plena Rádio Ipanema. Com o Fábio e eu aprendi muito com a arte do improviso com o microfone. Um lado extremamente poético que ele tinha nas emissões do programa que eu achava fascinante. Me tornei participante do programa dele. 

Dali em diante eu passei a entrar cada vez mais pra rádio e virei, além de músico, o cara que os músicos procuravam pra mostrar seus sons.

Uns meses depois, no final de 2010, o programa promoveu um festival chamado Pré-Cosquin, em que a banda vencedora iria para a Argentina tocar no festival Cosquin Rock. Na organização do festival eu conheci o Arildo Leal e uma loira de 1 metro e noventa que tirava fotos, Ana Beise.

Depois de um tempo, lá por 2011, meu amigo Gonzalo Graña me coloca pilha de a gente fazer um canal no youtube cobrindo shows da cena rock da cidade. Criamos o “Fala Roqueiro”. Eu entrevistava as bandas, editava os vídeos, ele filmava e a Ana Beise tirava fotos. Depois entrou a Déia Araújo que cuidava das redes sociais do projeto.

Depois de um tempo nós nos separamos das gurias e fiquei anos sem falar com a Ana.

Quando a Ipanema afundou, o Claudio Cunha me convidou pra participar da DINAMICO FM. Foi meu início como apresentador de um programa de rádio. Nessa época eu já estava tocando na banda oficial do Plato Divorak e do Marcelo Birck. Fiz shows memoráveis com essas duas figuras ímpares do Rock Gaúcho.

Lá por 2015, eu fui morar no Menino Deus e achava os bares do bairro muito caretas. Acabava sempre indo pra Cidade Baixa tomar umas. Eis que comecei a frequentar a Vila do Rock e reencontrei a Ana Beise, já como uma das figuras mais importantes da RÁDIO PUTZGRILA.

Como a gente ficou muito tempo sem se falar, ela ficou meio receosa de que eu entrasse na rádio. Mas no fim a gente deixou as rusgas de lado e a nossa amizade se tornou mais forte do que era antes.

E eis me aqui. Meio músico, meio radialista. Mas nunca me considerei um jornalista, mas um Roqueiro que quer abrir caminhos e interagir com outros Roqueiros da cena. Ajudar com as armas que tenho a que a galera siga conhecendo boas bandas de rock, que sigam criando, tocando, bolando projetos, gravando discos, lançando clipes e fazendo a arte seguir seu rumo, mesmo em tempos tão tenebrosos como os de agora. Uma coisa é certa: 

SOBREVIVEREMOS. ROCK AND ROLL WILL NEVER DIE!

Rádio Putzgrila

A Putzgrila é um veículo de rock consolidado na internet, com mais de 13 anos de programação ao vivo, transmissões de festivais, notícias, lançamentos e cobertura de shows nacionais e internacionais.

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