O massacre sonoro do Exploited em Novo Hamburgo

Wattie autografando o debut do The Exploited. Foto: Paulo Caramês.

Senhores beirando os 60 anos não costumam ostentar moicanos. Mas Wattie Buchan, líder e vocalista do The Exploited, é exceção. Aos 58 anos, o único integrante na ativa com a banda desde os primeiros registros faz questão de não baixar sua já indefectível crista de cabelos vermelhos. Manter o penteado, na cabeça do escocês, é como um símbolo de que o punk não morreu. Não só a crina em riste de Wattie, mas a postura dele e dos colegas no palco também mostra que o estilo continua vivo. E raivoso, como deve ser. Na última sexta-feira, dia 13 de dezembro, o Exploited mostrou aos gaúchos que suas mais de três décadas na estrada não diminuíram a intensidade do massacre sonoro ao vivo. Em sua segunda passagem pelo Rio Grande do Sul, o quarteto britânico desfilou clássicos da velha guarda e petardos mais recentes de sua discografia num show com pouco mais de uma hora. A apresentação rolou no Rock and Roll Sinuca Bar, em Novo Hamburgo, região metropolitana.

Mesmo antes de a casa abrir uma certa tensão pairava no ar, já que punks e skinheads estariam no mesmo ambiente. Apesar de a convivência ter sido respeitosa, o histórico conflitante entre os dois grupos sempre cria uma atmosfera apreensiva. Marcado para iniciar às 22h, o evento só começou mesmo pouco depois da meia-noite, com a banda Desiguais fazendo o primeiro ato de abertura. O conjunto de São Marcos, região serrana do Estado, apresentou um repertório basicamente de versões para grandes nomes do punk rock nacional, como Cólera e Replicantes. Em seguida veio a Resistor, de Caxias, apostando num street punk sem frescura.

A atração principal da noite entrou em cena por volta de 1h30min, quando o vocalista deu a clássica batida na cabeça com o microfone para ver se o som estava ok e, em seguida, lascou ‘Le’ts Start a War’. O que Wattie, seu irmão Wullie Buchan (bateria) e os comparsas Matt Justice (guitarra) e Irish Rob (baixo) mostraram dali em diante foi o esperado: uma performance crua, agressiva e com pouco diálogo. Enquanto o quarteto metralhava seu setlist, o público colocou abaixo a barricada que separava os expectadores da banda. Das composições mais antigas, rolaram ‘Alternative’, ‘Dogs of War’, ‘Dead Cities’, ‘Troops of Tomorrow’, ‘I Believe in Anarchy’, ‘Porn Slut’, ‘Army Life’, ‘Fuck the USA’, ‘Sex and Violence’ (com Irish Rob indo ao encontro da plateia dar uma zoada), ‘Maggie’ e ‘Punk’s Not Dead’. Já da fase mais recente, tivemos ‘Beat the Bastard’, ‘Fightback’, ‘Chaos in my Life’, ‘Holidays in the Sun’, ‘Fuck the System’ e ‘Was it Me’. Interessante perceber como a banda que nomeou seu primeiro disco de Punk’s Not Dead (1981), ao seu jeito, ainda se esforça para fazer dessa uma afirmação válida.

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