O maior pixador de Porto Alegre tem 71 anos!

 

Nascido em Porto Alegre no dia 17 de outubro de 1945, morador do bairro Petrópolis, escrivão da policia civil, Sergio José Toniolo era um perito da objetividade. Sua narrativa técnica somada ao conhecimento para o levantamento de provas, garantiram-lhe espaço de destaque nos jornais de todo o país. Ocupava-se dos mais diversos temas, muitos dos quais entravam em pauta e geravam uma série de notícias. Eram matérias sobre irregularidades no trânsito, reformas da língua portuguesa, organização de campeonatos de futebol e, em meio à ditadura militar, também realizava denúncias a respeito da própria polícia. Em 1976, criticou o tratamento que os policiais davam aos menores abandonados, deixando os verdadeiros criminosos agirem livremente. Em janeiro de 1978, também denunciou o sistema privado de guinchos do Detran de Porto Alegre, que funcionaria segundo interesses financeiros dos prestadores.

Segundo Toniolo, a primeira carta publicada lhe rendeu uma repreensão por parte de seus superiores, que a julgavam desfavorável ao bom comprimento das atividades policiais. Já a segunda (ambas publicadas no jornal Zero Hora), rendeu uma detenção de 42 dias no Hospital Espírita de pronto-atendimento psiquiátrico. Em 7 de março de 1978, Toniolo foi internado sem passar por quaisquer exames de avaliação, tendo recebido licença para tratamento de um mês só após sua saída.

Em julho de 1978, o delegado Sergio Oliveira Gusmão emitiu um parecer considerando Toniolo um “elemento perigoso” e uma ameaça à organização policial. Também sugeriu a instauração de um inquérito administrativo visando seu afastamento. Em dezembro de 1978, Toniolo foi devidamente examinado pelo médico Gildo Vissoky, que diagnosticou não haver nada de errado em sua saúde mental.

PIXAÇÃO COM HORA MARCADA

Um dos causos mais famosos de Toniolo é a pixação com hora marcada do Palácio do Piratini. Tenha sido para provocar a imprensa, a polícia ou os políticos, o fato é que Toniolo um dia divulgou um aviso ousado: às 17 horas do dia 17 de março de 1984 pixaria a sede do Poder Executivo em Porto Alegre, o Palácio Piratini.

Chegado o dia, lá estavam mais de 200 policiais resguardando a virgindade das paredes da instinuição. Não adiantou. Estando careca e já bem mais velho do que na fotografia que os policiais possuíam como referência, Toniolo passou tranquilamente pela barreira, sacou sua arma e grafou TONIO… Faltaram duas letras, mas a promessa estava cumprida, a fama definitivamente conquistada e o nome inscrito não só na parede, na história de Porto Alegre.

VOTE TONIOLO

Toniolo, por muitas vezes, lançou-se candidato a cargos públicos. O partido escolhido foi o inexistente PAB (Partido Anarquista Brasileiro), pelo qual chegou a ser candidato à Presidente da República, usando, em todas as vezes seu número cabalístico 5143.

Para promover sua candidatura a Governador nas eleições de 1990, o “Rei do Piche” despejou milhares de panfletos no centro da capital. Os panfletos continham uma matéria falando sobre sua carreira pichatória e também um adesivo de 5x3cm com as inscrições ” Partido Anarquista – S.J. Toniolo – Governador – Para colar na Cédula”. A campanha publicitária do pixador resultou em, obviamente, processos (incitar o voto nulo era crime na época), mas também quase fez a eleição ser anulada conforme reportagem do Jornal do Comércio de 26 de outubro de 1990.

 

Fontes:

http://www.overmundo.com.br/overblog/t-o-n-i-o-l-o-o-l-o-i-n-o-t

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Toniolo

Ariel Schwendler

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