O brilho das Pérolas

O brilho das Pérolas

No dia 28 de novembro de 2005 fui ao meu primeiro show internacional. No dia 11 de novembro de 2015 minha filha foi ao seu primeiro show internacional. Agora você deve estar pensando: legal Ana, mas e daí? E daí que com um intervalo de dez anos, minha filha e eu tivemos praticamente a mesma experiência: ter o Pearl Jam como a primeira banda gringa a ter sido vista ao vivo.

Eu e a Agatha, minha filha.
Eu e a Agatha, minha filha.

Ontem, quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes tomaram conta da Arena, os olhos dela encheram-se de lágrimas devido a emoção. Os meus também. E com certeza não foram só os nossos. O Pearl Jam é uma dessas bandas que tem uma legião fiel de fãs, não só pela sua música, mas também pela postura perante as mazelas do mundo. O fato dos caras serem politicamente ativos, além da dedicação e carinho com que tratam o seu público faz deles um exemplo, que deveria ser seguido não só por outros artistas, mas por todos. Respeito e empatia com seus admiradores resumem bem o Pearl Jam.

O show de 2015 teve 3 horas e alguns minutos de ápices. Para mim é extremamente difícil dizer qual foi a melhor música, qual foi o momento que mais me marcou. Todos os momentos foram marcantes. Pendulum foi o som escolhido para abrir a terceira apresentação da banda em solo gaúcho e a primeira da turnê brasileira do álbum Lightning Bolt. Em seguida Release, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Mind Your Manners, Animal e para quebrar tudo, Do the Evolution. O primeiro cover da noite foi Interstellar Overdrive, do Pink Floyd. Após tocarem Corduroy e Lightning Bolt, Eddie se arrisca no português – álias, não é só no português que ele se arrisca, em todos os shows que fazem em lugares onde o inglês não é a lingua oficial, o vocalista leva para o palco um papel com algumas coisas que pretende falar durante a apresentação no idioma local. “Muito obrigado por comprarem ingressos, obrigado por ficar na fila, obrigado por ser tão legais. Mas, acima de tudo, obrigado por nos ouvir e por nos fazer sentir em casa em Porto Alegre” .

Faithfull, Even Flow e um solo animal do guitarrista Mike McCready – de quem tatuei o autografo no braço direito, I Got Id, Lukin, Not for You, Sirens, Let the Records Play, Spin the Black Circle e a fantástica Rearviewmirror fecharam a primeira parte do show. Nem é possível dizer que eles deixaram o palco, o intervalo foi tão rápido que até fez Eddie se perder na letra de Last Kiss, um cover de Wayne Cochran, já imortalizado na versão do Pearl Jam. Dá nada esquecer a letra Eddie, todos que estávamos lá sabemos cantar ela de cor. Ela e todas as outras. Hard to Imagine, Wishlist, Jeremy, Glorified G, Better Man – é nessa parte do show que, como já havia feito no segundo show do Pearl Jam aqui em Porto Alegre, no dia 11 de novembro de 2011, Eddie pede para a galera cantar parabéns para sua esposa, Jill, que aniversaria nesse dia, mas que não acompanhou a banda nesta turnê (nem na de 2011).  “Quatro anos atrás, estávamos em Porto Alegre no dia 11 de novembro. Se vocês se lembram, hoje é aniversário da minha mulher. Estou triste por ela não estar aqui. Ela é uma mulher incrível e preciso da ajuda de vocês para cantar ‘Parabéns’, para ela não pensar que sou um babaca”. Além do parabéns cantamos mais a Go e a Porch.

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Mike eternizado na pele. O tatuado foi o Saulo Souza (51 91299811), que sempre manda muito bem.

Duas horas de show e mais uma hora do bis, que começa com Comfortably Numb, do Pink Floyd – primeira vez que eles tocam este cover em um show. Presente para os fãs gaúchos. Why Go, Given to Fly, Black, Alive, Fuckin’ Up, do Neil Young, que faz aniversário hoje, dia 12 de novembro e é um dos grandes ídolos dos caras, além de parceiro musical da banda e Yellow Ledbetter encerram a noite.

Depois de tudo isso eu tenho só uma coisa para dizer para Eddie Vedder, Stone Gossard, Jeff Ament, Mike McCready e Matt Cameron: Obrigado. Obrigado por tornarem a noite do dia 11 de novembro de 2015 uma das melhores da minha vida. Não, não estou exagerando, sim, foi sensacional, quem estava lá sabe do que estou falando. Assim como foi sensacional em 2005 e 2011 também.

Do primeiro show para o segundo passaram-se seis anos, do segundo para o terceiro, quatro anos. Pela lógica, em dois anos eles estarão de volta. Quem sabe até consigo tatuar os autógrafos do resto da banda no meu braço. Prometo guardar espaço.

Mas nem tudo são pérolas nesta noite. Eu fico extremamente de cara com a escolha da Arena para shows, assim como fico de cara com a escolha do estacionamento da FIERGS. São lugares distantes, de difícil acesso, com pouco transporte e em regiões que o trânsito se torna extremamente complicado em horário de rush. O estádio em si é muito bacana, bonito, com uma boa estrutura. Porém o seu entorno é lamentável. Muito triste ver o descaso da prefeitura com tal região da cidade – com essa e várias outras na verdade. Outra coisa muito irritante é a tal da divisão da pista, entre premium e normal. Da arquibancada superior, onde eu estava, pude perceber que uma galera que estava na pista normal foi altamente prejudicada na questão da visibilidade. Além da grade que divide as pistas foram instalados equipamentos de som e luz em “casinhas” no meio do gramado. Já reclamei disso no texto que fiz sobre o show do Foo Figthers. Produtores: tenho certeza que vocês conseguem fazer melhor. Outro ponto a ser citado são os preços. Uma garrafinha de água oito Reais?! Latinha de ceva, dez pilas?! Em que planeta a pessoa que resolveu cobrar esse valor vive? E para terminar a sessão reclamação, por favor, da próxima vez, coloquem o som no volume máximo.

Ah, preciso citar também o Igor, o ambulante que me deu uma ceva por eu ter ficado, junto com Franco (ouvinte e amigo aqui do pessoal da Putz) e com o Gregory (o cara que ficou preso no banheiro do Eclipse) cuidando da caixa dele enquanto ia buscar troco. Valeu man, foi a ceva mais gostosa da noite.

Galera muito bacana no aquece pro show (o Franco é o cara com a camiseta feia do Grêmio e o Gregory é o de óculos).
Galera muito bacana no aquece pro show (o Franco é o cara com a camiseta feia do Grêmio e o Gregory é o de óculos).

 

Ps.: Fotos do show pela Putz não tem, não deram credencial de imprensa para a rádio mais rock da cidade. Tenho a impressão que alguém não esta fazendo seu trabalho direito. É uma lástima.

 

 

Ana Beise

Produtora, faxineira fascinante e agente do caos da Putz

2 comentários sobre “O brilho das Pérolas

  1. Ana,concordo totalmente, também fiquei na arquibancada superior, o ambulante vendendo 1 heineken por 13 e 2 por 25, todo mundo ficou chocado. O som tava quase tava baixo, mal equalizado a maior parte do tempo, não dava pra sentir aquele punch…eu fui de van com minhas irmãs e umas gurias que também dividiram, e saimos as 06:30, não deu tempo de nada, compramos uma cerveja antes de subir a rampa e entramos, depois chegamos quase a 1:30 em casa…meu único sentimento é que na frente do palco deveria estar melhor. O rock pede: Um lugar de fácil acesso, som bom e alto e cerveja barata…vendessem de 600 ml podiam cobrar 15 pila, mas latinha? na próxima vou levar latas e vender eu antes de entrar no show

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