Nação Zumbi faz show histórico em Porto Alegre

afrociberdelia
Passados 20 anos do lançamento de um dos discos mais importantes dos últimos tempos, Afrociberdelia, a banda pernambucana Nação Zumbi aterrizou em Porto Alegre celebrando a data, na noite de ontem, e fez uma apresentação digna de quem carrega em sua bagagem essa história, com uma performance sólida e extremamente energética. O público que abarrotou o Bar Opinião pode relembrar e reverenciar um dos principais ícones do movimento que mudou a música brasileira – o Manguebeat.

“Eu pulei, eu pulei, e corri no coice macio, só queria matar a fome, no canavial na beira do rio” – com esse trecho de “O Cidadão do Mundo”, que abriu o show, A Nação insandeceu a multidão, que literalmente pulou, e pulou, e cantou cada pedaço da música. A fome era grande, e esse foi apenas o aperitivo de grandes momentos que seriam protagonizados pela banda, e, pelo próprio público, ao longo da noite.

De tiro certeiro em tiro certeiro, a Nação Zumbi manteve o clima em alta voltagem em toda a apresentação, e execuções como a de “Macô”, “Maracatu Atômico” e “Manguetown” proporcionaram momentos de catarses coletivas arrepiantes, onde os “caranguejos antenados” sambaram e pularam lado a lado.

Em tempos de caos e lama, de banditismos por questões de classe, e da alta tensão instaurada no país, entoar as letras da Nação e do genial e saudoso Chico Science nunca fez tanto sentido. O show celebrava os vinte anos do disco, e nós, de alguma forma, agradecíamos poder cantar veementente, como um dasabafo, cada música do show. Um descarrego, orquestrado por execuções musicais densas, intensas, somadas à loopings eletrônicos psicodélicos.

“Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”. E não estávamos. A maré encheu, transbordou, passeamos no mundo livre da Nação Zumbi, que defende a democracia, a liberdade de expressão, e para tal, usa como armas, em sua revolução musical, alfaias, guitarras distorcidas e letras que, com ou sem cerveja antes do almoço, nos deixam pensando melhor.

Valeu Nação Zumbi !

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Texto: Manoel Canepa
Foto: Divulgação

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