Mississipi Delta Blues Festival 2015, Blues da Lua Cheia!

O que aconteceria se Robert Johnson não tivesse tomado aquele copo de bebida envenenado? Isso eu não sei mas sei que o que deixou por aqui, está em Caxias do Sul….

O Mississipi Delta Blues Festival aconteceu nos dias 26, 27 e 28 de novembro  em sua oitava edição em Caxias do Sul, numa antiga linha férrea, movimentando a cena musical, cultural, gastronômica e comercial da cidade. Inclusive com um vagão de trem ainda parado aos trilhos. É um cenário quase que perfeito para uma noite de blues. A edição deste ano não ficou atrás com convidados especialíssimos e atrações de muito bom gosto. A Putzgrila esteve lá, participando dos 3 dias do maior festival de Blues da América Latina. Além das atrações, muitas coisas mais ocorreram, contando também com apresentações surpresas e muitas jams na hora, e até mesmo apresentações de dança. O que mais acontecia era um músico encerrar sua apresentação e já ser convidado para outra. A verdade é que o que não se viu foi público ou artistas parados atrás do camarim a noite toda. Todo mundo muito participativo e receptivo ao evento. Então vamos a descrição do que ocorreu em cada dia deste grande evento musical e em devoção ao Blues de origem e suas vertentes. A música e estilo americano é continuo em todas as partes por onde se vai. São tantas atrações que você tem que caminhar a todo momento pelo festival para captar a essência de cada palco:

MOON STAGE

#Primeiro Dia

No palco principal Moon Stage começava o Blues da Lua Cheia com The Hard Working Band tocando músicas como Soul Man, e Dance in the Street animando o público. Na sequência, Bob Stronger baixista talentoso de Chicago e Rip Lee Pryor preparavam os recém chegados ao que estava por vir nesses 3 dias de puro Blues . Nada de senhores sentados esperando o velório de um estilo old school. O que vimos de cara é que assim como o Rock, o seu pai, o Blues ficaria de pé, bem vívido e dançando o festival inteiro. Vera Loca apresentou um ótimo show. Fugindo um pouco do gênero, mas que vem exatamente do que o blues resultou e também apreciamos muito, o Rock’n’Roll.

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#Segundo Dia

Terry Harmonica Bean que já havia feito um excelente espetáculo no palco FRONT PORCH STAGE na noite anterior não deixou por menos nesse segundo dia, agora desta vez no palco principal. Outra grande atração foi a banda de Jefferson Gonçalves (RJ) que trouxe blues e elementos da música tradicional nordestina juntamente a sonoridade.04

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#Terceiro Dia

Abertura com South American King of the Blues, seguidos por Super Chikan. Esse foi um dia que realmente impressionou no palco da Lua. A começar por Super Chikan que ao perspicaz estilo “solo man”  impressionou . E depois o show final com o Mr. Sipp – The Misssissipi Blues Child trouxe aquela parte climática do blues, mais dançante e empolgada. Inclusive com cenas inusitadas, como uma espécie de dança que lembrou muito o que Chuck Berry sempre fez tocando seu Rock n Roll. Sim a dancinha clássica do Chuck! Mr. Sipp foi lá e fez sem demora! Agora se o cara é bom com os pés, imagina o que era o som da guitarra dele. Resultado? Ninguém novamente ficou parado!

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MAGNOLIA STAGE

#Primeiro dia

No palco Magnolia Stage o que tivemos foi a ilustríssima participação da feminilidade no Blues. Um palco onde tocou as divas, as vozes femininas desse estilo tão único e com a batida marcante. A sexta feira começou com abertura de Débora de Oliveira & It’s so Blues (RS). Posterior foi a vez de Tita Sachet & Fran Duarte (RS). E fechando  até às 00:20 com Xine Monzon & Easy Babies. Esse palco era pra fechar relativamente mais cedo do que os outros, porém nele também ocorreram mais jams, como no terceiro dia de festival.

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#Segundo Dia

No segundo dia tivemos Camila Todelo (RS), e depois um ótimo show com Luiza Cazé e banda, do Rio de Janeiro. E fechando com a brilhante voz de Whitney Shay (USA).

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# Terceiro Dia

Começando as 19:00 com Alma Thomas (USA), posterior Barbara Mendes (RJ) e fechando com a queridíssima e talentosa parente de Wolf, Zora Young que contou com a participação de Bob Stronger, e ai esses dois e banda seguiram até tarde. Na verdade o blues não respeitou os horários vigentes do festival, que deveria sempre acabar as 2:30, mas geralmente se seguiu pela madrugada a dentro!

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FRONT PORCH STAGE

#Primeiro Dia

Com toda a certeza um dos palcos que mais me impressionou foi o Front Porch Stage. Primeiro pela proximidade que trouxe com os músicos, Bob Stronger e demais artistas tiraram fotos com fãs neste palco, que além disso com certeza ninguém ficou parado na platéia. E segundo pela própria beleza estética do palco. Todo feito de madeira, e com uma placa que dava a impressão de ser antiga, porém um belo trabalho gráfico da produção do evento. Lembrava muito antigas mercearias ou casas dos trabalhadores do Mississipi onde tudo começou. Com abertura de Thunder Carlos, músico do RS. Nas três horas que se seguiram, uma sensacional apresentação de Terry Harmonica Bean ocorreu. Era difícil ter que sair dali para ver outras atrações, já que o som era contagiante, e o mais tangível Blues Delta do Mississipi, local onde também Terry nasceu.

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#Segundo Dia

Zora Young me deixou estupefato! Que voz! Ela brilhou realmente no blues da lua cheia em Caxias do Sul. Parente distante de Howlin’ Wolf, Zora Young levantou o público com uma voz imponente e uma presença de palco de tirar o folego . Não ficando atrás de modo algum com divas do cunho de Etta James, Billie Holiday e Aretha Franklin. Simpática, ecoou sua voz nas caixas do MDBF de forma encantadora. Em sua carreira, foi presente com músicos como Junior Wells, Jimmy Dawkins, Bobby Rush, Buddy Guy,Albert King, Professor Eddie Lusk e B. B. King.(destaque para o momento em que Zora deu uma suave piscadela para nossa fotógrafa pela Putz do evento, Rachel Farias, apenas por que ambas estavam com seus respectivos lenços no cabelo assim creio. Encontro de divas!)
Na sequência quem marcou a veracidade do Blues foi Super Chikan de Clarksdale/MS.

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# Terceiro Dia
Bob Stronger e Rip Lee Pryor dominaram o palco com sua sonoridade original de Chicago e Carbondale respectivamente. Descontraídos com o público, posaram para foto com fãs.

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BUS STAGE

#Primeiro Dia

Pela quantidade de bandas e palcos ,confesso que não pude acompanhar o show da Lennon Z & the Sick Boys(RS), mas pude acompanhar o show da banda Ale Ravanello Blues Combo(RS) que fez um baita show, com até mesmo um certo improviso teatral do vocalista contando uma história de amor mal resolvida usando a sonoridade da harmônica como voz dos personagens narrados pelo mesmo. Criativo.

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#Segundo Dia

Bob Stronger aparece novamente, dessa vez com a banda de Santa Catarina, The Headcutters, essa junção também foi louvável, porque se você não conhece a banda, é uma boa hora pra ouvi-la. Big Creek Slim encerrou com um blues sofrido e bom como ele realmente é. Destaque para a canção Mean Old Sunrise.

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#Terceiro Dia
Tocaram juntamente The Juke Joint Band( RS) e Luke De Held (PR). Às 21:10 entrou ao palco Sherman Lee Dillon (USA) & Cokeyne Bluesman (RS). E Fechando com Raphael Wressnig (Austria) & Igor Prado (SP)

 

MISSISSIPI STAGE CLUBE DO BLUES RJ

# Os três dias….

No Mississipi Stage Clube basta dizer que o que ocorreu foram jams das mais variadas com todo o pessoal do festival e grupo do Rio de Janeiro. Cidade que tem história no blues nacional com bandas como Blues Etílicos. Um artista que deu as caras por lá e muito som foi o baterista do Barão Vermelho, Guto Goffi , tocando com outros espetaculares músicos clássicos do Blues.

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FOLK STAGE

#Primeiro Dia

Uma apresentação muito legal aconteceu no primeiro dia no FOLK STAGE , não necessariamente ligado ao Blues, mas sim a um dos seus instrumentos que mais o popularizou, a harmônica. O Sexteto da Orquestra Harmônicas de Curitiba como o nome já diz, faz uma apresentação de grandes clássicos da música somente com gaitas de boca. E é uma experiência ótima de se observar. O show final do palco fez jus ao título do palco, com uma incrível apresentação de música folk de Myla Hardie, com músicos locais conhecidos pela gente aqui do estado como Gustavo Chaise e Edu Meirelles. Com direito a piano solo, Myla proporcionou um momento bem lúdico reflexivo ao público. Acho importantíssimo que o festival tenha o foco blues, mas essas vertentes que caminham e caminharam juntas a ele, fizeram também a diferença e variação no festival, tornando-o mais interessante ainda.

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# Segundo Dia

No segundo dia a abertura se repetiu com o Sexteto da Orquestra de Harmônicas de Curitiba, fechando com Acústico Gelpi (RS).

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# Terceiro Dia

Novamente o Sexto da Orquestra de Harmônicas de Curitiba. E fechando em grande estilo irish celtic com um ótimo show do Bando Celta, também aqui do Sul do país.

FOOD PARK STAGE

# Primeiro dia
O palco da Praça de alimentação. Afinal Blues também abre o apetite… Aproveitando para comentar um pouco da praça em si, as comidas e bebidas do festival são as mais variadas. Contando não apenas com os restaurantes e bares locais que contornam por dentro de todo o evento ( e funcionam o ano inteiro obviamente), sendo que um desses bares trazia bandas do estilo e foi o que deu origem a esse enorme e raro festival. Também havia uma grande quantidade de food trucks. As cervejas a que mais tomei (e a mais forte delas) foi a Ipa.  Mas voltemos aos shows.
Muitas bandas boas do Rio Grande do Sul e Paraná. Gordini Blues Band foi a primeira atração deste palco que contou exclusivamente com bandas do sul do país. Mostrando que as raízes Blues são fortes em influência por aqui. Mama Doo tocou logo depois as 23 horas e 1:30 da noite fechando com Luke De Held & The Lucky Band (PR) .

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#Segundo Dia

Às 19:00 horas quem abriu foi o Just Blues(RS) tocando até as 21:00. Lara & Jackpot Band ( RS) seguiu até a 12:20 e Fechando a noite com Décio Caetano (PR).

# Terceiro Dia

Delta Jam(RS), Cristian Rigon & Banda(RS) e The Cotton Pickers (RS) fizeram a noite de sábado no Palco Food.

DESTAQUES DO MDBF 2015:

Se houve artistas que roubaram a cena nesta edição do festival (e claro também na história do blues), sem dúvida foram:

Bob Stronger :

Baixista incansável da cena de Chicago –Usa , que desde 1955 já tocou com grandes nomes do blues como Otis Rush, Sunnyland Slim, Jimmy Rogers, Snooky Pryor, Homesick James, Pinetop Perkins, Muddy Waters e Eddie C. Campbell. Presente (e extremamente disposto com seus 80 e poucos anos de vida) nos três dias, tocou com Rip Lee Pryor(1* dia), The Headcutters (2*dia) e um show fenomenal com Zora Young (3* dia) não previsto, mas como é de se esperar do MDBF, a junção musical acontece a todo minuto, em seus mais variados palcos, contando com 7 principais. Além de Bob Stronger já ser presença cativa em todos os anos do Festival.

Zora Young: Parente distante de Howlin’ Wolf, Zora Young levantou o público com uma voz imponente e uma presença de palco de tirar o folego . Não ficando atrás de modo algum com divas do cunho de Etta James e Aretha Franklin. Simpática, ecoou sua voz nas caixas do MDBF de forma encantadora. Em sua carreira, foi presente com músicos como Junior Wells, Jimmy Dawkins, Bobby Rush, Buddy Guy, Albert King, Professor Eddie Lusk e B. B. King.

Terry Harmonica Bean :
Terry fez todos dançarem ao clássico e original Delta Blues do Misssissipi, aonde também nasceu. Destaque para o show que realizou no palco FRONT PORCH STAGE . Gaitista experiente, não surpreende apenas pelo instrumento ao qual leva a sonoridade no próprio nome, mas também impressiona pela habilidade com a guitarra e o timbre da voz.

Rip Lee Pryor
Natural de Ullin, Illinois, também venho com um show posterior a Bob Stronger na primeira noite no palco principal (MOON STAGE) tocando muito do blues tradicional.

# Cervejas Artesanais
Ah, cerveja também foi o que não faltou no festival! Como dizem, os bluseiros são bons de copo!

# A Cidade de Caxias do Sul e o Coletivo Paralela:

A Putz ficou hospedada com mais outras pessoas da imprensa na Paralela Hostel, um projeto muito legal que une várias ideias criativas integrando artes. Eles fizeram também seu próprio mini festival de blues a 10 mangos. Uma alternativa para se divertir e conhecer a cena contínua da cidade de Caxias do Sul . O grupo de artes, música e produtora fica na R. Tronca 3483, uma ótima opção pra quem procura uma hospedagem em conta, de qualidade e shows de Rock’n’Blues.

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# Algumas fotos do ambiente do festival e apresentações de dança e música simultâneas:01

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Obrigado Caxias e até a próxima edição do Mississipi Delta Blues Festival!

TEXTO E EDIÇÃO ERIC ALLES. FOTOGRAFIA RACHEL FARIAS.

 

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One Thought to “Mississipi Delta Blues Festival 2015, Blues da Lua Cheia!”

  1. Régis Cardoso ou Rejubamorgan

    Baita reportagem. Texto excelente, fotos inspiradíssimas. Parabéns gurizada.

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