Melhores discos do ano do 4oldtimes

Primeiramente, gostaria de salientar que esta lista não obedece a nenhuma espécie de critério técnico. Não sou músico nem crítico musical, apenas um apaixonado por aquilo que entendo como música de qualidade. Portanto, devo deixar bem claro que a escolha dos discos e a ordem desta lista correspondem apenas ao meu gosto e não refletem, de maneira alguma, a opinião de todos os membros da Rádio Putzgrila. Sem mais delongas, vamos ao que importa:

1º lugar: Dr John – Locked Down

 

Quando ouvi o primeiro single – Revolution – do novo disco do Dr John, um dos meus maiores ídolos, no site da revista Rolling Stone nos idos de março/abril, eu pirei. Todos os dias eu precisava escutar aquela maravilha ao menos uma única vez – normalmente acabavam sendo várias audições. Quando o disco finalmente foi lançado, foi um frenesi total. Minha namorada estava recém conhecendo o som do Dr John e já estava de saco cheio dele, de tanto que repetia o Locked Down na íntegra no meu winamp.

Considero este o melhor disco da década até agora (2011 e 2012) – e acredito que será difícil aparecer algum lançamento que desbanque o novo petardo do witchdoctor Rabennack. Com faixas como Revolution, Ice Age e Getaway, Dr John consolidou seu retorno ao som da mais alta qualidade. Se vocês quiserem ler a resenha que fiz do álbum, segue o link.

 

2º lugar: Joe Louis Walker – Hellfire

 
Muitos de vocês podem nunca ter ouvido falar de Joe Louis Walker já que ele não é um nome tão conhecido por aqui – eu também não o conhecia antes de baixar Hellfire sem pretensão alguma. Vocês já podem imaginar o tamanho da minha surpresa ao ouvir o álbum, já que ele figura no segundo lugar desta lista. Walker está na ativa desde os anos 60, mas só começou a gravar em 86 e de lá pra cá, já lançou 19 discos. Uma sólida carreira que se consolida ainda mais neste belíssimo disco.

A faixa que dá título ao disco é, também, aquela que o abre. Hellfire já define o ritmo: um blues enérgico, marcado pelo excelente trabalho de Walker na guitarra, com um groove marcante e uma temática gospel. What’s It Worth explora a relação entre o órgão, instrumento tradicional do gospel, e a guitarra de Walker, criando um dueto único. Já Soldier For Jesus mergulha no groove, levando as frases religiosas num ritmo de celebração. Cada tema executado no disco vale a pena ser ouvido com muita atenção.

 

3º lugar: Jack White – Blunderbuss

 

Jack White ficou conhecido pelo trabalho ao lado de sua ex-mulher, Meg White, na dupla White Stripes. Era um som simples, meio estranho e sem baixo. Depois ele andou por aí com a The Raconteurs e a Dead Weather – nada de muito promissor, ele ainda continuava transitando pelos caminhos mais pop do rock. Todavia, ele já havia dado mostras do seu gosto pelo blues e também do talento como produtor, ao trabalhar com Wanda Jackson no ano passado. Foi por isso que quando fiquei sabendo que ele lançaria um álbum solo, fiquei na expectativa.

E não é que o cara se mostrou capaz de mudar? Unindo influências entre Led Zeppelin e o blues rural, White faz um som nervoso, às vezes com tons de insanidade, que reúne referências de vários lugares diferentes. Freedom At 21 e Hypocritical Kiss mostram um pouco disso. Já o tema título, Blunderbuss, mostra que White aprendeu bastante com Jimmy Page e seu Zeppelin de chumbo. Mas minhas faixas favoritas são a dançante I’m Shakin’ e a apocalíptica Weep Themselves To Sleep.

 

4º lugar: Willie Nelson – Heroes

 

 

Willie Hugh Nelson, também conhecido como o “estranho ruivo”, já é um senhor de 79 anos. Conhecido pelo seu jeito singular de cantar e pela afeição com a marijuana, Willie construiu uma brilhante carreira dentro da country music, participando do surgimento do dito “outlaw country”. Já na “idade de ouro”, Nelson mostra que ainda tem fôlego para impressionar. Ao contrário do filme dos irmãos Cohen estrelado por Tommy Lee Jones (No Country For Old Men), Willie exibe que os EUA também são um país para homens velhos.

Junto de seus filhos, Lukas (que tem um timbre vocal muito semelhante ao do pai) e Micah Nelson, e mais um time de estrelas (Merle Haggard, Kris Kristtoferson, Sheryl Crow, Ray Price, Billy Joe Shaver, Jamey Johnson e até mesmo Snoop Dogg), Willie Nelson produziu 14 pérolas do country. Num mundo como o de Nashville, lotado de gente com pouco talento e muita propaganda, Heroes soa como um alívio nostálgico. Canções como All That There Is To This Song e Just Breathe resgatam a essência do country, essência essa que Willie nunca perdeu.

 

5º lugar: Neil Young & Crazy Horse – Americana

 

 

Depois de oito anos sem gravar nada com a Crazy Horse, Neil Young se juntou a seus velhos parceiros para dar a luz a um belo trabalho, muito melhor do que seus últimos lançamentos individuais (como o péssimo Le Noise). Unidos novamente, sua primeira contribuição esse ano foi Americana, um disco que, como o título indica, é um tributo às raízes da música americana.

Fazendo ótimos arranjos roqueiros de canções tradicionais, Young e seus comparsas do louco cavalo conseguiram criar um ótimo clima que poderia muito bem pertencer a um disco gravado nos anos 70. Sons como Oh Susannah, Gallows Pole ou Get A Job deram sinais de que Young estava finalmente voltando ao caminho da boa música.

 

6º lugar: Quantic And Alice Russell with Combo Bárbaro – Look Around The Corner

 

 

Quantic, que também atende por Will Holland, é um DJ britânico que atualmente reside na Colômbia. Por lá o cara já fez diversos trabalhos, inclusive o ótimo Tropidelico, de 2007, no qual ele misturou o funk a influências caribenhas e alguns ritmos eletrônicos. Vale a pena dar uma conferida! Já Alice Russell é uma cantora de blue eye soul lá da terra da Rainha, que costuma lançar seus discos pela mesma gravadora que Quantic, a Tru Thoughts. Juntos, eles fizeram uma união bastante acertada. Os vocais de Russell casaram muito bem com o instrumental grooveado do Combo Bárbaro, comandado por Quantic. Canções como Here Again e Look Around The Corner marcam este ótimo trabalho, que recomendo do começo ao fim.

 

7º lugar: Ricky Skaggs – Music To My Ears

 

 

Skaggs é um mestre do bandolim desde as antigas. Quando criança, o cara tocou com Bill Monroe e Earl Scruggs, dois dos maiores nomes do bluegrass. De lá para cá, ele próprio veio se constituindo enquanto um dos símbolos do bluegrass, ainda que tenha assumido o arriscado caminho das experimentações mais recentemente. No disco novo, Music To My Ears, Skaggs traz um prato cheio para os fãs de country e de bluegrass. Misturando uma abordagem “tradicional” com elementos mais “modernos”, ele produziu uma sonoridade bem bacana. O grande destaque fica por Soldier’s Son, gravada em parceria como Barry Gibb, ex-Bee Gees.

 

8º lugar: ZZ Top – La Futura

 

 

Os barbudos do Texas mostraram que ainda estão em forma. La Futura é, provavelmente, um dos melhores discos da carreira dos caras e traz um rock cru, recheado com blues, acompanhado por uma pegada firme e liderado por um belo trabalho de guitarra do grande Billy Gibbons. I Gotsa Get Paid e It’s Too Easy Mañana dão o tom do disco.

 

9º lugar: Bonnie Raitt – Slipstream

 

 

Bonnie vem trabalhando muito desde os anos 70, pavimentando seu caminho em várias áreas, como o blues, o country e o rock. Com um slide nas mãos, essa senhora de 63 anos veio a 2012 para sedimentar ainda mais a sua sólida carreira. Slipstream reúne todo o seu repertório de influências de sempre, apresentadas de forma suave, com um embalo maroto. As baladas You Can’t Fail Me Now e God Only Knows são, com certeza, uma boa referência do que é este disco.

 

10° lugar: Graveyard – Lights Out

 

Graveyard é uma banda sueca relativamente jovem, estão na estrada apenas desde 2006. Mas nesse tempo já lançaram três álbuns, e dois deles da maior qualidade possível. Numa linha de revival setentista, os caras unem o hard rock a um fraseado de blues, lembrando os áureos tempos do rock – mas não se enganem, eles conseguiram transcender a barreira da semelhança e criar uma identidade própria. Endless Night e Goliath ficam como uma boa introdução para o que é Lights Out.

 

10 melhores músicas do ano

1 – Ricky Skaggs & Barry Gibbs – Soldier’s Son

2 – Dr John – My Children, My Angel

3 – Dr John – Revolution

4 – Willie Nelson & Lukas Nelson – Just Breathe

5 – Bonnie Raitt – You Can’t Fail Me Now

6 – Neil Young & Crazy Horse – Gallows Pole

7 – Joe Louis Walker – What’s It Worth

8 – Jack White – Weep Themselves To Sleep

9 – Quantic & Alice Russell with The Combo Bárbaro – Here Again

10 – Dr John – God’s Sure Good

E eras isso! Um abraço a todos e um bom final de ano!

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