John Paul Jones completa 72 anos

John Baldwin nasceu no Reino Unido dia 03 de janeiro de 1946 e, de família ligada ao mundo das artes, aprendeu a tocar piano com pai, que era pianista de orquestras nas décadas de 40 e 50, o jovem menino acabou desenvolvendo o amor pela música e transformou-se em multi-instrumentista. Aos 14 anos tornou-se organista e condutor do coro da igreja de Sidcup, sua cidade natal. Foi mais ou menos nessa idade que ele começou a ter preferência pelas guitarras e baixos… Acabou que o baixo foi o instrumento de trabalho e o meio pelo qual ele se tornou mundialmente conhecido.

Aos 22 anos, agora conhecido como John Paul Jones, alcunha que lhe foi sugerida por um amigo, que havia visto o nome em um cartaz de um filme francês – que pelo que entendi, é um personagem do escritor James Fenimore Cooper, no romance The Pilot – ele era músico profissional, atuando em gravações de estúdio, tocando baixo e teclado para algumas bandas que despontavam na época; entre 1964 e 1968 John participou de gravações dos Rolling Stones,  Donovan, Jeff Beck, Cat Stevens, Rod Stewart, Shirley Bassey, entre outros. Foi durante uma dessas suas sessões de gravação em estúdio que ele conheceu Jimmy Page. Jimmy e John tocaram juntos pela primeira vez na gravação do álbum “Little games” dos The Yardbirds, onde John fez os arranjos orquestrais e tocou violoncelo na faixa de abertura. Com o final do The Yardbirds, Page convida Jones para darem segmento a banda (o The Yardbirds era um um grupo que já tinha um certo tempo de história, sendo sempre lembrada por ter revelado vários músicos de peso, como Eric Clapton, Jeff Beck e o próprio Page), aproveitando a já fama do conjunto, reajustando o nome para The New Yardbirds, criando assim então o embrião daquela que viria a se tornar uma das maiores e melhores bandas que já passou pelo planeta Terra, o Led Zeppelin.

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Dos quatro pilares que formavam o Led, Jonesy (apelido que ganhou de Jimmy Page), era o que menos se expunha aos holofotes, fossem do palco ou da imprensa. Porém, isso não afetava a sua importância musical para o grupo, pelo contrário, músico habilidoso e compositor prolífico e de qualidade, é a ele que se deve boa parte do trabalho da primeira fase da banda. Com um gênio difícil, sendo um cara fechado, pouco a pouco deixou que as tensões zeppelinianas se concentrassem nas rusgas entre Page e Robert Plant, tendo quase saído do quarteto no último trimestre de 1974. Além da sua importância como baixista, sua aptidão com o piano e consequentemente, com o teclado, tornaram o som do Zeppelin mais eclético, sua paixão pelo jazz e pela música erudita transformaram a banda em algo muito além do que só mais um grupo de hard rock. Não é a toa que o seu logotipo, no simbolismo da banda, são três formas ovais que se interceptam junto a um único circulo, símbolo retirado de um livro de runas, que simboliza uma pessoa confiante e competente. Meio workaholic, mesmo sendo baixista do Led, nunca afastou-se completamente de suas sessões de estúdio, tendo participado em gravações de “Family Dogg”, Peter Green, “Madeline Bell”, Roy Harper e “Wings” ainda enquanto estava na banda.

Com a morte do baterista John Bonham, em 1980 e o consequente final da banda, Jones voltou a dedicar-se exclusivameao seu trabalho como arranjador, músico de estúdio e produtor musical, tendo agora como preferência trabalhos mais experimentais e artistas undergrounds, como a cantora Diamanda Galás. Também fez colaborações em trabalhos do “REM”, “Heart”, “Ben E, King”, “Mission”, “La Fura Dels Baus”, Brian Eno,  “The Butthole Surfers” e Paul McCartney. O primeiro disco solo do baixista foi editado em 1999 e se chama “Zooma”, ele é seguido por “Thunderthieh” de 2001, onde pela primeira vez, Jones mostra os seus dotes vocais.

Com todo esse engajamento de Jones em trabalhos de estúdio e com diversos músicos, não é nenhuma surpresa que ele tenha conhecido Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters) – que com certeza é um de seus pares nessa história de ser arroz de festa e gravar com uma galera (Jones participou, em 2005 do álbum “In your Honor”, do Foo Fighters) e junto com ele e Josh Homme (Queens of Stone Age), tenha formado o power trio “Them Crooked Vulture”, uma das bandas mais instigantes que temos na atualidade, com John Paul Jones no baixo e teclados, Dave na bateria e Josh nas guitarras e vocais.

Jones, além do baixo, teclado e guitarra, toca flauta doce, koto, steel guitar, autoharpa, ukelele, clavineta, cítara, bandolim e violoncelo. É considerado um dos maiores baixistas de todos os tempos, sendo citado como um músico inovador, arranjador e diretor, fundamental para o desenvolvimento de um estilo característico de composições. Ele é comumente sugerido como influencia de outros grandes nomes do rock, como Steve Harris, John Deacon, Geddy Lee, Flea, Gene Simmons, e Krist Novoselic.

Pode ser que Jones tenha sido mal compreendido algumas vezes, ou subestimado, porém, o mais obscuro dos quatro cavaleiros da fábula Led Zeppiliniana é com certeza uma unanimidade entre os instrumentistas de rock. Até dá para tentar falar mal ou contestar a sua habilidade musical, porém acho que isso deva dar tanto trabalho, que é melhor nem começar. E esse gigante completa em 2018 seus 72 anos, onde, com certeza, a maior parte deles foi dedicada ao Rock n’ Roll. Parabéns Jones.

 

 

 

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One Thought to “John Paul Jones completa 72 anos”

  1. Jo

    Belo texto! O homem é genial e maravilhoso. :)

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