Cobertura Morrostock: Fim de semana punk no morro


Cobertura por Homero Pivotto Jr. e Paulo Caramês

O Morrostock é um festival, como o próprio nome indica, ao estilo do famoso Woodstock: ocorre em local fora da área urbana, apresenta vários shows e tem o tradicional acampamento. Porém, ao menos no primeiro fim de semana da edição 2011, que começou na última sexta-feira, dia 7 de outubro e foi até domingo, dia 9, as semelhanças ficaram por aí. No Bar do Morro, em Sapiranga (RS), ao invés dos hippies que marcaram o grande festival norte-americano em 1969, havia punks, metaleiros e admiradores de som pesado. Todos reunidos para curtir as atrações das noites dedicadas ao heavy metal e ao hardcore. Entre os destaques da programação, bandas como Olho Seco e Condutores de Cadáver – grupos seminais do punk no Brasil -, além do metal bem trabalhado da Tierramystica e da Soulspell.

Na sexta-feira, a previsão era de que os shows começassem às 21h. Entretanto, os grupos deram início às apresentações com atraso. Atrito (Campo Bom) e Draco (Porto Alegre) abriram os serviços, enquanto muita gente ainda chegava ao Bar do Morro. A banda Redoma, que seria a terceira a subir ao palco, não tocou. Divergência entre os músicos e a organização teria sido o motivo para o cancelamento do show. Em seguida, foi a vez da Phornax (Porto Alegre), do heavy melódico da Tierramystica (Porto Alegre) e da ópera metal da Soulspell (São Paulo). Um dos pontos negativos da noite foi a demora das duas últimas bandas em acertar o som e começar suas respectivas apresentações. Tanto a Tierramystica quanto a Soulspell levaram mais de 30 minutos cada ajustando os equipamentos. Em seguida, veio post-hardcore nervoso da Campbell Trio (Porto Alegre) e o skate punk da Wall Ride (Porto Alegre).

Por volta das 6h, com o sol já raiando do lado de fora do espaço onde rolaram os shows, entrou a grande atração da noite: os tiozões da Condutores de Cadáver. Formada no fim da década 70, em São Paulo, o grupo foi um dos pioneiros do movimento punk nacional. O quarteto Índio (voz), Callegari (guitarra), Hélio (baixo) e Babão (bateria) mostrou que, mesmo com mais de 30 anos de história, ainda têm vitalidade. Sons como ‘Choque’, ‘Condução para o Inferno’, ‘Onde Estão os Vivos’ e ‘Bem Vindos ao Novo Mundo’ fizeram o público pirar e cantar junto. Destaque para a performance de Índio, que parece um senhor pacato, mas fica possuído quando está em ação.

Vale lembrar que o Condutores é parte da história do punk brasileiro: Índio tocou no Hino Mortal, Callegari fez parte do Inocentes e do 365,  Hélio foi integrante do Cólera e Babão passou pelo Hino Mortal. Reza a lenda que muitas bandas punks que vieram depois são crias do Condutores de Cadáver. Até mesmo o Ratos De Porão teria surgido após o guitarrista Jão assistir a Indião & Cia ao vivo.

Além do quarteto paulista, o primeiro dia do Morrostock ainda teve show dos argentinos da Diferent. Mesmo passado das 7h, os hermanos mandaram ver.

No sábado, as shows começaram pontualmente às 17h. A primeira banda foi a 4 Acordes (Sapiranga), que faz um hardcore melódico. Em seguida, teve o punk rock da Inseto Social (Santa Maria), as meninas da Stella Can – com um som à la The Donnas – e o grind da Barulho Ensurdecedor. Na seqüência, ainda rolou a Chute no Rim (Porto Alegre), seguida de uma baita surpresa: um show extra do Condutores de Cadáver! Os caras fizeram uma apresentação ainda mais insana que o da noite anterior. Surpreendente!

Na seqüência, vieram as bandas Audioterapia (Osório), The Efficients (Canoas) e Out of Reason (Canoas). No intervalo, antes do show da Conduta Destrutiva (Porto Alegre), um susto: queda de luz. Não que o pessoal tivesse medindo do escuro. O problema era não assistir aos próximos shows, entre eles, o Olho Seco. Mas, de alguma maneira, a equipe do evento conseguiu restaurar a energia apenas no palco. Já era sufuiente.

Logo depois, vieram os veteranos punk rockers gaúchos da Pupilas Dilatadas e o hardcore/crossover furioso da Ação Direta (São Paulo). Por volta das 4h, um dos momentos mais aguardados do Morrostock deste ano: o primeiro show do Olho Seco – um dos grupos mais influentes e representativos do cenário punk brasileiro – no Rio Grande do Sul. Após 10 anos adormecido, o Olho Seco retomou as atividades em 2011. O vocalista Fábio Sampaio (voz) – único integrante da formação original -, na companhia do baterista André (bateria), e dos integrantes do Agrotóxico Marcus (guitarra) e Jeferson (baixo), fizeram valer a pena todo esse tempo de espera. Em cerca de 45 minutos, o quarteto deu uma verdadeira aula de hardcore, tanto pela postura quanto pela presença de palco. Praticamente todo o público cantou com a banda músicas como ‘Nada’, ‘Todos Hipnotizados’, ‘Olho de Gato’ e o hino ‘Isto é Olho Seco’. Se você gosta de punk/hardcore e perdeu essa chance, pense numa música do próprio Olho Seco quando lembrar da falha que cometeu: que vergonha, que vergonha!

ENTREVISTAS E TRECHOS DE SHOWS:
Entrevista Fábio (Olho Seco): http://www.youtube.com/watch?v=77hgYV50D_0
Entrevista Condutores de Cadáver: http://www.youtube.com/watch?v=zcum4u-tIhU
Trecho do show do Olho Seco: http://www.youtube.com/watch?v=DiPZcQzPMP0
Trecho do show do Condutores de Cadáver: http://www.youtube.com/watch?v=cCF4HbK3cLI

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2 Thoughts to “Cobertura Morrostock: Fim de semana punk no morro”

  1. […] não ver essa lenda do punk/hardcore em mais uma passagem pelo Rio Grande do Sul. Depois de uma apresentação no Morrostock de 2011, os paulistas do Olho Seco retornam ao Estado para duas apresentações: Caxias do Sul (28/3) e […]

  2. […] Homero Pivotto, responsável pelo programa Let’s Start também repercutiu os shows na web rádio Putzgrila e foi responsável pelos videos […]

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