Doces, travessuras e muito Rock and Roll!

Doces, travessuras e muito Rock and Roll!

Muitas das festividades que fazem parte de nosso calendário foram agregadas, advindas de outros países e culturas, tanto pela assimilação de culturas de populações locais e originárias, pensando o Brasil enquanto um país multiétnico, quanto pela popularização de datas comemorativas que chegaram até nós através da globalização.

Grande exemplo desse último caso é o Halloween! Mas você conhece as origens desta festa que vem se popularizando cada vez mais no Brasil?

Acreditasse que as origens do Halloween remontam a uma das comemorações mais importantes do Calendário Celta, chamado Samhain, que marcava o fim do verão e também o Ano Novo para esses povos.

Ele também possuía um significado místico, uma vez que os celtas acreditavam que, durante o festival, que acontecia anualmente em 1º de novembro, as barreiras que separavam o Mundo dos Mortos e o Mundo dos Vivos deixavam de existir, logo, acreditava-se que as almas dos mortos do último ano poderiam vagar pela Terra.

Durante a festividade, os Celtas realizavam celebrações com fogueiras e com muitos alimentos. As fogueiras tinham como objetivo manter os mortos longe dos vivos e eram acesas nos diversos locais em que se celebrava o Samhain. Os alimentos serviam para homenagear os mortos e para celebrar as colheitas que manteriam os Celtas abastecidos durante o inverno.

Contudo, a festa e o significado do festival de outubro mudavam conforme a região, ainda que existam pontos em comum entre o “Calan Gaeaf”, festival realizado no País de Gales, e a celebração do Samhain, predominantemente irlandesa e escocesa, há muitas diferenças também.

O surgimento do Halloween aconteceu entre os séculos XIV e XVIII e está relacionado com a cristianização das áreas que praticavam o Samhain e o Calan Gaeaf (Irlanda, Escócia e País de Gales), o que era uma prática muito comum da Igreja Católica naquele período, ou seja, era a de criar festividades cristãs na mesma data em que eram realizados festivais pagãos – entenda-se “pagãos” por toda e qualquer religião, religiosidade ou crença fora do catolicismo.

Dessa forma buscavam cristianizar as pessoas e ao mesmo tempo, apagar os traços da religião anterior e não foi diferente com os povos celtas. No período da Alta Idade Média, a Igreja possuía uma festa chamada “Dia de Todos os Santos”. Essa data era celebrada em maio, na data em que os romanos celebravam um festival para afastar espíritos malignos.

Porém, no século VIII, o Papa Gregório III acabou transferindo a data para 1º de novembro, exatamente a data em que era comemorado o Samhain. A festa, inicialmente, acontecia somente em Roma, mas o próximo pontífice, chamado Gregório IV, decidiu estendê-la para todos os fiéis da Igreja.

Os historiadores acreditam que essa ação possa ter sido tomada para enfraquecer a festa pagã nas Ilhas Britânicas, pois, apesar da cristianização, a resistência das tradições pagãs na área era muito forte.

Com isso, iniciou-se uma grande tradição em países como a Inglaterra, que, em 1º de novembro, celebrava o “Dia de Todos os Santos” e, em 2 de novembro, celebrava o “Dia dos Finados”. O dia 31 de outubro acabou transformando-se em All Hallows’ Eve, que significa “Véspera do Dia de Todos os Santos”.

Referente à crença em monstros e criaturas fantásticas durante o Halloween, sua origem também remete ao Samhain, uma vez que os Celtas acreditavam que, no período da festividade, seres malignos poderiam aproveitar a presença dos mortos para fazer mal às pessoas vivas.

O uso de máscaras no Samhain era comum, pois acreditavam que as pessoas que iam de porta em porta com máscaras não seriam reconhecidas pelos seres malignos. A crença em monstros e o uso de máscaras (ou fantasias) fazem parte da tradição moderna do Halloween.

O nome “Halloween” é uma contração na língua inglesa de “All Hallows’ Eve”. A associação direta pode ser feita com o termo que passou a ser usado na Escócia: Hallows Een.

A tradição de realizar essa festividade está diretamente relacionada com a cultura britânica, até que o Halloween chegou aos Estados Unidos, no século XIX, trazido por imigrantes irlandeses. No começo, o Halloween ficava restrito aos irlandeses, mas na virada do século XIX para o século XX, a tradição começou a ser assimilada por toda a sociedade estadunidense e transformou-se em uma das festas mais tradicionais dos Estados Unidos. Em virtude da popularização da cultura norte-americana, a festa espalhou-se pelo mundo.

Dos irlandeses também vieram tradições como a de esculpir uma lanterna. No caso da tradição irlandesa, era comum esculpir nabos e transformá-los em lanterna. Nos Estados Unidos, em razão da grande disponibilidade de abóboras, elas foram usadas na confecção de lanternas. Lembrando que as lanternas e fogueiras eram uma prática comum do Samhain.

Hoje em dia, o Halloween continua sendo festejado em 31 de outubro. Nesse dia nos Estados Unidos, é comum as pessoas realizarem festas e se fantasiar de monstros, e uma das práticas mais populares é as crianças, também fantasiadas de monstros, irem de porta em porta dizendo a já célebre frase: “trick or treat”, cuja tradução é: “doces ou travessuras”.

O Halloween popularizou-se como uma tradição da cultura popular à medida que a cultura americana foi sendo exportada, sobretudo no Ocidente. Muitos países, como o México, possuem suas próprias celebrações para os mortos. Outros países, como a Alemanha, incorporaram a festa à sua própria cultura, mas a adaptaram à cultura local.

Nas últimas décadas, temos presenciado o fortalecimento da comemoração do Halloween na forma como os norte-americanos o celebram. Aqui no Brasil, esse dia é conhecido como Dia das Bruxas e também é marcado por festas nas quais as pessoas fantasiam-se de monstros, tais como vampiros e zumbis.

Essa inserção deste elemento da cultura norte-americana, no entanto, gerou algumas reações de pessoas favoráveis a fazer um resgate de elementos da tradição folclórica do Brasil. Pensando nisso, foi aprovada, em 2003, a Lei nº 2.762, que determina o dia 31 de outubro como o Dia do Saci. A ideia é exaltar e celebrar o folclore brasileiro.

Os leitores devem estar pensando: “O que tudo isso tem a ver com o Rock?”, pois bem, hoje a comemoração é celebrada no Brasil com festas, shows, sessões especiais de cinema, maratonas literárias (existem hoje editoras no Brasil que se dedicam quase que exclusivamente ao lançamento de obras de terror), ou seja, existe comemoração para todos os gostos. Pensando naqueles que querem comemorar a data ao som de muito Rock n’ Roll, preparamos uma lista com 5 discos indicados para você entrar no clima do Halloween.

1 – BLACK SABBATH – BLACK SABBATH (1970)

Após definir o nome do grupo e assinar contrato com a Vertigo Records, a banda entrou no Regent Sound Studios e precisaram de três dias para gravar o disco que mudaria para sempre a história do Rock. O quarteto gravou o disco no melhor esquema “ao vivo”, com Ozzy cantando ao mesmo tempo que os músicos tocavam.

Lançado na sexta-feira, 13 de fevereiro de 1970, Black Sabbath, o disco, rapidamente se tornou referência, e um marco a ser seguido pelas bandas que viriam em seguida.

2 – MISFITS – WALK AMONG US (1982)

Formado em 1977 em Lodi, New Jersey (EUA), o Misfits é sempre creditado como o grupo que criou o Horror Punk, e dispõe de fãs famosos no mundo da música, como o lendário ex-baixista do Metallica, Cliff Burton. Contando com músicas rápidas e curtas, a banda parecia se encaixar na cena Punk da época, mas bastava prestar atenção às letras e ver a imagem do grupo para ver que existia algo a mais ali. Misturando Punk Rock com referências musicais que vinham diretamente dos anos cinquenta, o Misfits apostava em letras que versavam sobre filmes de terror, e toda a imagem e indumentária do grupo se encaixavam nessa proposta, criando algo único que seria copiado à exaustão nos anos seguintes.

3 – ROB ZOMBIE – ZOMBIE LIVE (2007)

Totalmente identificado com o espírito do Halloween, Rob Zombie, incorpora, tanto em imagem e performance, quanto pela sua música a essência desta festa! Seja com o White Zombie, seja em sua prolífica carreira solo ou dirigindo filmes de Terror como: Halloween: O Início, Lords Of Salem e A Casa Dos 1000 Corpos, ele sempre está lá, com seu visual de mendigo zumbi e com o mesmo talento já tão reconhecido. O motivo de este Zombie Live estar figurando aqui é que tudo de melhor que foi produzido em sua extensa carreira se encontra nesse disco, que não pode faltar na trilha sonora do seu Halloween musical.

4 – ALICE COOPER – ALONG CAME A SPIDER (2008)

Alice Cooper é um dos mais importantes artistas do Rock mundial, e sua carreira é repleta de discos e músicas que poderiam figurar com mérito nesta lista. O escolhido, Along Came A Spider é um dos álbuns que buscam trazer a ‘bruxa velha’ de volta para a sua antiga sonoridade, após seus anos de sucesso no Hard Rock e no Hard/Heavy. Com Slash nas guitarras em Vengeance Is Mine e Keri Kelly em grande fase, Alice Cooper atingiu seu objetivo com folga!

5 – NECROPHAGIA – THE DIVINE ART OF TORTURE (2003)

O vocalista e líder do grupo, Killjoy é um fanático por filmes de Terror, e todos os discos do grupo são repletos de referências a esses filmes, que transparecem tanto nas letras quanto nas vinhetas sempre tão presentes em suas músicas. Fã dos filmes de José Mojica Marins, o nosso Zé do Caixão, declara: “Eu descobri os filmes do Zé do Caixão quando eles foram lançados nos Estados Unidos há uns anos atrás, e fiquei viciado neles desde então. Ele é uma das melhores coisas que já aconteceu ao Terror, em qualquer época e de qualquer parte do mundo”. E o papel de Zé do Caixão ia muito além de apenas inspirador do novo álbum, já que ele está presente no clipe de Parasyte Eve, uma verdadeira obra de curta-metragem de Terror. “Trabalhar com ele é como um sonho se tornando realidade. Ele está dirigindo alguns vídeos do Necrophagia. É uma honra trabalhar com ele, estou sem palavras; as ideias que ele tem são matadoras. Ele é o melhor nisso atualmente”, declarou na época.

Agora você tem uma playlist ideal para animar ainda mais seu Halloween!! Comente sobre essa matéria e compartilhe com seus amigos que curtem essa grande festa!!

Referências:

rodiecrew.com

bbc.com

Sérgio Pires

Sérgio Pires

Pai, professor, cientista social, radialista. Comunicador da Rádio Putzgrila - A Rádio Rock de Verdade.

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