Desde Aquele Dia – Humberto Gessinger

Acordei ainda em êxtase após o show da gravação do dvd do Humberto Gessinger, e me deparei com a seguinte frase publicada por ele em seu Instagram: “Assim estava a tarde porto-alegrense, hoje, no percurso da minha casa ao local do show. Chuva e sol. Cabeça fervendo de antecipações, frio na barriga. Lembrei das caminhadas solitárias pela cidade nos sábados da minha adolescência. Minha companhia era a música de caras geniais que povoavam meu imaginário. Ser músico era um sonho tão distante que eu nem tinha coragem de sonhar. Aconteceu. Quero agradecer a todos que ajudaram a tornar realidade um sonho que nem tive coragem de sonhar. Neste sábado, algumas destas pessoas lotaram o Pepsi On stage! Obrigado.”

Mal sabe ele que era eu quem andava pelas ruas da cidade nos sábados da minha adolescência na companhia de sua música, e os Engenheiros do Hawaii eram alguns dos caras geniais que me acompanhavam…

Ainda de cortinas fechadas, o músico entoa o famoso riff de Revolta dos Dandis I, levando a galera a loucura. Ao abrir os tecidos, o Pepsi On Stage lotado canta em uma só voz a música que dá nome ao segundo álbum de estúdio da banda e que completa 30 anos em outubro de 2017.

Nenhuma música do álbum aniversariante ficou de fora, como por exemplo: “Infinita Highway”, “Terra de Gigantes”, “Refrão de um Bolero”, além das faixas-título, que estão entre os principais sucessos da banda. O músico tocou também “Alexandria”, sua recente composição em parceria com Tiago Iorc; e “O Que Você Faz à Noite”, de 1986 em parceria com Dé, então baixista do Barão Vermelho, até então nunca gravada por Gessinger.

Humberto executa linhas de baixo únicas, combinando singular mistura de técnica e musicalidade. Multiinstrumentista que é, não poderia deixar de tocar seu acordeom em um par de canções. Estava muito bem acompanhado pelo excelente guitarrista Fernando Peters e por Rafael Bisogno, que pilchado levantou a platéia com sua performance na bateria e seu bumbo leguero, tornando algumas músicas ainda mais emocionantes.

Demais sucessos da banda animaram a noite, como “Exército de um homem só”, “Somos quem podemos ser”, “Piano Bar”, entre outros. Em determinado momento, Humberto chama ao palco Carlos Maltz, baterista dos Engenheiros do Hawaii e, como ele mesmo disse, um das pessoas que o ajudaram a construir a sua carreira. Maltz cantou e tocou timbales, fazendo o público vibrar e relembrar um pouco daquele trio de rock gaúcho arrebatador dos anos 80, que contava também com Augusto Licks na guitarra.

Por se tratar da gravação de um dvd, no final do show algumas canções tiveram de ser refeitas. E quem se importou? Por nós o show inteiro poderia ter sido repetido. Foi extasiante e memorável! Nós é que te agradecemos, Humberto, por não ter acreditado no teu sonho distante, mas mesmo assim ter coragem de seguir em frente.

Texto e Fotos por Liselena Severo – Putzgrila Rock Clube
Exceto foto 5 – de  Ananda Jung
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