Deicide: inacreditavelmente entre nós!

Texto por Ana Rauber
Fotos por Martha Buzin
via All That Metal
Sim, eles realmente estiveram entre nós. Creio que a épica noite de sábado (24 de maio) foi uma sucessão de escolhas bem feitas e pontos positivos, começando pela frase do cartaz. Aquele “finalmente eles estarão entre nós” na imagem de divulgação, compartilhada exaustivamente nas redes sociais e espalhada pela cidade de São Leopoldo, parecia querer reforçar a ansiedade e êxtase que a proximidade com a data trazia.
A importância do Deicide para o metal extremo pôde ser reafirmada através do público: dentre os mais de 1200 presentes, grande parte das bandas gaúchas estavam lá com pelo menos um integrante representando, como a Symphony Draconis, Human Plague, Hate Handles, In Torment, Spleenful, Distraught, Postmortem, DyingBreed, Scarpast, Horror Chamber e inúmeras outras.
Quanto ao local do show, embora o fato de não ser Porto Alegre a cidade escolhida (o que foge do padrão de shows internacionais ocorreram na capital) tenha gerado desconfianças, não haveria lugar melhor para sediar o evento: Deicide era o nome que faltava para de fato consagrar o Storm Festival em sua edição n°50 como um dos mais importantes dentro da cena underground do país. São Leopoldo, berço dessa história, merecia essa honra.
Desde estrutura montada no Largo Rui Porto, o estacionamento gratuito disponibilizado, som de qualidade, iluminação, segurança, banheiros, até um dos itens mais importantes para um show de metal de sucesso (a cerveja gelada com preço justo e atendimento rápido) o evento foi impecável, o que demonstrou, para além do profissionalismo já conhecido da organização, o respeito dos mesmos com o público e bandas.
Diferente do que do estamos (mal) acostumados, o evento foi pontual. Cheguei com poucos minutos de atraso e, por volta das 19 e 12, a banda Exterminate já estava quebrando tudo no palco. Conhecidos já pela maioria do público, o show foi rápido mas certeiro em aquecer os tímpanos e pescoços para a quebradeira que viria. Antes de descer do palco, eles ainda convidaram o público para migrarem para a Embaixada do Rock e agradeceram aos presentes.


Passados alguns minutos de intervalo, a Bloodwork subiu ao palco e, o público que ainda estava chegando, foi aos poucos ocupando os espaços vazios que restavam à frente. O show com pouco mais de 20 minutos de duração teve alguns problemas técnicos que, diante da empolgação do público e presença de palco da banda, quase passaram despercebidos.

Antes do aguardado show, os produtores Márcio (Makbo) e Leonardo (Storm Festival) tomaram o microfone para agradecer o público presente que veio de diversas partes. Segundo Márcio haviam fãs do Paraná, São Paulo, Santa Maria e outras inúmeras cidades do estado. Para além, eles fizeram questão de reforçar o que todos nós já sabemos: a dificuldade de conseguir apoio para a realização de eventos de metal extremo. Mas, graças a um servidor da prefeitura fã de Deicide eles conseguiram a liberação para o local e o show tão aguardado teve início antes mesmo deles concluírem o agradecimento: Glen Benton apareceu ao fundo e os gritos do público foram o presságio do caos que começaria em seguida.
A ode ao diabo começou com um rápido e discreto sorriso de Benton, que logo veio seguido de Homage for Satan, música do álbum The Stench of Redemption de 2006, o primeiro álbum da banda após a saída dos irmãos Hoffman. Em seguida veio Dead by Dawn, do álbum de estreia da banda em 1990. O público, que ainda estava meio tímido (ou descrente com o que via), foi ao delírio com a sequência dos clássicos Once Upon the Cross (álbum homônimo de 1995) e Scars of the Crucifix (lançado em 2004, foi o último álbum que contou com a formação original da banda).
A primeira pausa veio com a conversa (sempre) breve de Benton com o público, que ressaltou como era bom estar de volta ao Brasil e, assim como previsto em virtude das quatro primeiras do set list, tocariam músicas recentes e antigas. Em seguida veio In The Minds Of Evil (do álbum homônimo lançado em 2013 e que marcou para muitos a ruptura – não definitiva – com a técnica aplicada nos álbuns anteriores e o retorno as raízes e essência death da banda). Seguindo a sequência do próprio álbum veio Thou Begone.
As demais pausas entre as músicas vieram acompanhadas de inúmeras palhetas de Benton jogadas ao público em seus raros momentos de contato visual com os fãs (visto que o jeitão característico de cantar olhando para cima de mantém até hoje). E foi assim que When Satan Rules His World (Once Upon the Cross, 1995) e Serpents of the Light (do álbum homônimo de 1997) foram executadas. They Are The Children Of The Underworld (outra do clássico Once Upon the Cross, 1995) foi anunciada por Benton e como esperado, foi uma das músicas mais aplaudidas da noite.
Conviction (do álbum To Hell with God, de 2011, possivelmente uma das músicas atuais do Deicide mais populares em virtude da divulgação massante do videoclipe) e as duas músicas do álbum Legion (1992) em sequência, a Dead but Dreaming e Trifixion, mostraram a supremacia da banda: mesmo em épocas tão distintas e com gravações em ritmos diferentes, Deicide conseguiu manter a fidelidade dos fãs.

 

A sequência de clássicos foi cortada pela execução de End the Wrath of God, Beyond Salvation e Misery of One músicas do último álbum, o In the Minds of Evil, de 2013. Os clássicos retornaram com Kill the Christian (Once Upon the Cross, 1995) e Sacrificial Suicide (clássica do primeiro álbum e que, para muitos, ainda é o que mantém viva a lembrança daquela historinha de suicídio do Benton. É Benton, nós lembramos!) que aparentemente haviam encerrado a noite. Após saírem do palco, a banda retornou em instantes enquando o público entoava “Deicide, Deicide, Deicide”. A noite de encerrou definitivamente com Godkill, também do último álbum. Glen Benton jogou mais algumas palhetas enquanto Kevin Quirion e Jack Owen aplaudiram os presentes e Steve Asheim, surpreendentemente caloroso cumprimentou o público.

O Storm 50 por si só já encerraria a noite como histórica, mas não posso deixar de mencionar o que ocorreu na sequência. Seguindo o convite feito pela Exterminate e Bloodwork no palco, parte do público migrou no final do evento para a Embaixada do Rock. O clima de reunião de velhos amigos que já havia se instaurado do Largo Rui Porto continuou por lá. Santa Maria, Pelotas, Porto Alegre, São Leopoldo e outras cidades demonstraram do que o metal é realmente feito: união. Após o (segundo) show da Exterminate na noite, outras bandas presentes por lá subiram ao palco usando os instrumentos da própria Exterminate (sendo a Postmortem a primeira).
Parabéns público, bandas, organização, patrocinadores e produtores: vocês são foda!
Nós da equipe do All That Metal agradecemos ao Leonardo, Márcio e Renato pela confiança e desejamos ainda mais sucesso nos próximos eventos.
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