(DE)COLAGEM: VIADUTO OTÁVIO ROCHA RECEBE ESPETÁCULO MULTICÊNICO EM HOMENAGEM A CAIO FERNANDO ABREU

 VIADUTO OTÁVIO ROCHA RECEBE ESPETÁCULO MULTICÊNICO EM HOMENAGEM A CAIO FERNANDO ABREU

Unindo Artes Vivas, Artes Visuais e Audiovisual em uma criação colaborativa entre diversos artistas gaúchos, (DE)COLAGEM terá apresentações gratuitas nos dias 21, 22 e 23 de junho, às 20h, no coração do centro histórico de Porto Alegre

Concebido a partir de textos de Caio Fernando Abreu transformados em dramaturgia por Luís Artur Nunes, o espetáculo multicênico (DE)COLAGEM estreia em Porto Alegre na próxima semana com três apresentações gratuitas em um palco inusitado e aberto: o Viaduto Otávio Rocha, no centro histórico da capital. Reunindo teatro, música, dança, pintura e recursos audiovisuais, a montagem inédita e inovadora será encenada nos dias 21, 22 e 23 de junho, sempre às 20h.

Com patrocínio da Oi, apoio cultural da Oi Futuro e financiamento da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, o projeto foi proposto via edital, desafiando os selecionados a criarem, em pouco tempo e de forma colaborativa, as apresentações que o público poderá conferir em Porto Alegre. Participam do projeto a atriz e cantora Adriana Deffenti; os diretores Bruno Polidoro e Bruno Gularte Barreto junto à Besouro Filmes; a Cia Atimonautas, com seu teatro de bonecos adulto; o Coletivo Moebius, com sua dança contemporânea; e o designer gráfico e bailarino Jackson Brum.

A montagem é multicênica porque possibilita que diversas cenas do texto aconteçam de forma simultânea enquanto o espectador interage com a obra, fazendo a colagem dessas cenas. Durante todo o espetáculo, imagens audiovisuais desenvolvidas por Bruno Gularte Barreto e Bruno Polidoro serão projetadas na parte superior do viaduto, nos prédios no entorno e nos corpos dos artistas. Além disso, serão apresentados ao público vídeos com cenas extraídas dos arquivos pessoais dos diretores contendo imagens da casa de Caio F. e dos demais locais em que ele viveu pelo mundo, e até mesmo uma interpretação de um dos textos do escritor feita pela atriz Sandra Dani.

Simultaneamente, Jackson Brum pintará ao vivo uma tela temática com assuntos abordados na dramaturgia de Nunes e nas ideias de Caio, que completaria 70 anos em 2018. A cada apresentação, uma nova tela de 1,60m x 1,25m será feita, totalizando, até a última sessão, um conjunto de 14 painéis entre os que serão pintados ao vivo e os que já estarão fixos no local.

Para o espetáculo, a cantora Adriana Deffenti musicou alguns dos principais versos do texto original de (DE)COLAGEM. Acompanhada pelo músico Ricardo Pavão com sampler, violão, baixo e instrumentos alternativos, ela interpretará trechos da obra, improvisando ao vivo em cima de trilhas pré-gravadas. Enquanto isso, quatro bailarinos do Coletivo Moebius estarão em cena, contracenando e interagindo com elementos urbanos das escadarias do viaduto e da Rua Duque de Caxias.

Já a Cia Atimonautas participa da montagem com seus bonecos habitáveis, representando teatralmente alguns dos diálogos centrais da dramaturgia, com gestos significativos e jogos de palavras complementados com ambientação sonora especialmente composta para as cenas.

Encenado em 1977 no Teatro de Câmara, o texto original de (DE)COLAGEM é parte do acervo Espaço Sonia Duro – Centro de Documentação e Pesquisa em Artes Cênica, sediado no Teatro de Arena. A obra, que foi censurada na época com cortes feitos pela Divisão de Censura de Diversões Públicas, apresenta uma estrutura surpreendente com “um continuum de eventos, um fluxo ininterrupto de imagens, onde se passarão mudanças, repetições, permutações”, como o próprio texto assinado por Nunes e Caio F. anuncia em seu início. A peça em dois atos reúne sete diferentes quadros, os quais já previam efeitos de sombra em telão, coreografias e diálogos carregados de subjetividade.

Além das três apresentações gratuitas no Viaduto Otávio Rocha, o espetáculo multicênico (DE)COLAGEM terá continuidade online, podendo ser acessado por qualquer pessoa a qualquer momento em qualquer lugar do mundo. Durante e após a realização dos espetáculos ao vivo no centro histórico da capital, a montagem também poderá ser acompanhada em um tour virtual em 360 graus que estará disponível em www.decolagem.site a partir do dia 21 de junho.

O projeto ainda prevê oficinas totalmente gratuitas com os grupos e os artistas que participam do espetáculo. As atividades ocorrem nos dias 17, 18, 19 e 23 de junhoem diversos espaços de Porto Alegre, com cinco temas: vivência com bonecos híbridos; vídeo arte e performance; graffiti; composição em teatro e dança; e canto além da técnica. Para participar, é necessário ser maior de 16 anos e fazer a inscrição preenchendo um formulário online disponível no site do espetáculo. As informações completas, a programação das oficinas e os formulários de inscrição podem ser conferidos em www.decolagem.site/acoes ou no serviço abaixo.

 

CONHEÇA OS ARTISTAS PARTICIPANTES

 

ADRIANA DEFFENTI – MÚSICA – Adriana Deffenti é uma soma, resultado um tanto complexo de uma artista formada no ambiente multicultural de Porto Alegre. Uma cantora que toca instrumentos e faz canções, eventualmente atriz e bailarina. Desbravadora de universos onde experimenta, estuda, ensina e pratica arte, sempre atenta às diferentes técnicas e expressões. Começou na música cedo, aos nove anos, no Projeto Prelúdio, escola de música ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Lá obteve boa parte de sua formação. Em 1998 começou a carreira solo como cantora. Gravou dois discos – Peças de Pessoas (2002) e Adriana Deffenti (2007) – e recebeu dois prêmios Açorianos de Música. Excursionou pelo Brasil, Argentina (onde lançou seu segundo disco, pela Random Records), Espanha e França. Atuou em espetáculos como a ópera cômica As 7 Caras da Verdade (de Nico Nicolaiewsky), o circense Pão e Circo (do Circo Teatro Girassol, dirigido por Dilmar Messias), e trabalhos da Cia. de Dança Contemporânea Eduardo Severino, onde a habilidade cênica esteve aliada à musical. Atualmente, Adriana atua cantando em Elis & Tom – tributo, onde o disco homônimo de Jobim e Elis é executado na íntegra e em Voz, violão e conversa fiada, show solo onde canta canções próprias e releituras. Juntamente, prepara-se para a gravação de seu terceiro disco, Controversa, com releituras e composições próprias.

 

BRUNO POLIDORO E BRUNO BARRETO – AUDIOVISUAL – Ambos os diretores possuem trajetória reconhecida e são atuantes no meio audiovisual. Juntos, colaboraram na realização dos filmes Linda, uma História Horrível, dirigido por Bruno Gularte Barreto e cinematografado por Bruno Polidoro, curta metragem adaptado da obra homônima de Caio que participou e foi premiado em diversos festivais nacionais e internacionais e Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes, dirigido por Bruno Polidoro e com imagens de Bruno Gularte Barreto, documentário poético sobre a obra e vida de Caio na feitura do qual o diretor percorreu todas as cidades onde ele viveu e foi em busca das pessoas com quem conviveu, criando uma cartografia poética e afetiva sobre a qual o crítico Luiz Carlos Merten escreveu no Estadão: “o maior elogio que se pode fazer a Sete ondas é que o próprio Caio se reconheceria no filme”. Além disso, Bruno Gularte Barreto trabalha com produção de vídeos para espetáculos há mais de 15 anos, tendo sido pioneiro na utilização de vídeos em cena no estado em seu trabalho junto à Cia Espaço em Branco desde sua gênese e tendo trabalhado com a principais Cias de Teatro da Cidade de Porto Alegre, como a Cia Rústica, a Cia Stravaganza, Santa Estação Cia de Teatro etc. Bruno Polidoro é um reconhecido diretor de fotografia, que atua há mais de dez anos e fotografou 12 longas-metragens, além de diversos curtas e séries de televisão. Muitos de seus trabalhos como diretor de fotografia foram premiados, com destaque para os seis prêmios de fotografia recebidos no Festival de Cinema de Gramado (quatro na Mostra Gaúcha e dois na Mostra Nacional). Ambos os diretores também são professores de imagem no Curso de Realização Audiovisual da Unisinos, tendo ampla experiência em docência, sendo Bruno Gularte Barreto mestre em poéticas visuais pelo PPGAVUFRGS e Bruno Polidoro mestre em Comunicação – Audiovisualidades pelo PPGCOM-Unisinos.

 

CIA ATIMONAUTAS – TEATRO DE BONECOS – O próprio nome do grupo, Atimonautas, é sugestivo: átimo (fração de tempo) + nauta (viajante). Estimulados pelas experiências pessoais do 5º Fórum Social Mundial realizado em Porto Alegre, uma equipe composta de artistas, educadores e técnicos criou o grupo na ânsia de reinventar a ordem mundial. Reinventar ou ao menos tentar mudá-la. O grupo de bonequeiros tem como característica básica a linguagem teatral, mais especificamente a do Teatro de Animação Contemporâneo, e é responsável pela criação de seus próprios bonecos.

 

COLETIVO MOEBIUS – DANÇA – O Coletivo Moebius é um grupo de dança contemporânea formado por artistas de diferentes saberes em dança. Buscando apropriar-se do conceito contido na fita de Moebius, o Coletivo Moebius, integrado por bailarinos de diferentes técnicas, atores e artistas, busca quebrar com a ideia habitual de que as coisas possuem frente/verso, direito/avesso, dentro/fora. A fita de Moebius opera uma subversão no espaço comum de representação, indiferenciando as oposições: frente e verso, direito e avesso, dentro e fora encontram-se em continuidade. Assim como a fita de Moebius indistingue dicotomias, o coletivo procura fazer da diversidade de seus componentes a sua questão nodal. A variedade de tantos corpos, de tantas técnicas, de tantos conhecimentos abre diversas formas de trabalho ao coletivo, tanto física quanto intelectualmente. Com tantos integrantes vindos de tantas áreas e com saberes tão distintos, o coletivo faz da diversidade a sua possível unidade.

 

JACKSON BRUM – ARTES VISUAIS – Designer gráfico de formação, bailarino e artista urbano há mais de 18 anos. Trabalha com cultura urbana desde 2000, levando para as ruas o conceito de amor em suas mais diversas formas. Foi presidente da ONG Circulando Informação e Arte Urbana por sete anos escrevendo, produzindo e executando inúmeros projetos, tanto artísticos como educacionais em todo o território nacional. Foi reconhecido por editais da Funarte e o Prêmio Cultura Hip Hop – Preto Ghoes, (governo federal) pela referência em trabalho sociocultural. Participou do projeto Pontos de Cultura, desde o início, em 2004, escrevendo e coordenando três pontos de cultura distintos, sendo o último Rubem Berta nas Asas da Cultura, em execução, com ações culturais e sociais, dentro da comunidade leste da Porto Alegre, com oficinas de teatro, dança, artes plásticas, grafiti, cinema e o projeto Cinema na Comunidade, leva para o público exibições de filmes e curtas, junto com debate e re­flexões sobre os mesmos. Em 2017, foi vencedor do Prêmio Açorianos de Dança pelo espetáculo Suspiro, como bailarino. Já teve painéis expostos em Portugal, Barcelona, Itália, França, Alemanha e Polônia. Atualmente, atua como designer gráfico e na Alvo Cultural onde assina o ponto de Cultura Rubem Berta nas Asas da Cultura, é bailarino do Grupo My House, companhia de dança contemporânea, indicada e ganhadora do Prêmio Açorianos de Dança.

SERVIÇO

ESPETÁCULO MULTICÊNICO (DE)COLAGEM

Dias 21, 22 e 23 de junho, às 20h

Viaduto Otávio Rocha (Centro Histórico de Porto Alegre)

Gratuito

 

Duração: aproximadamente 90 minutos

Classificação: Livre

 

FICHA TÉCNICA

Patrocínio: Oi

Apoio Cultural: Oi Futuro

Apoio: Prefeitura de Porto Alegre e Teatro de Arena

Produção: Aresta Cultural

Produção Executiva: Alyne Rehm e Joice Rossato

Agente Cultural: Zanesco Produções

Identidade Visual: Dídi Jucá

Assessoria de Imprensa: Jéssica Barcellos e Thiago Copetti

Fotos e Vídeo 360 graus: Natalia Utz

Financiamento: Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul, Governo do Estado do Rio Grande do Sul

 

 

OFICINAS (para interessados em geral, maiores de 16 anos)

 

DANÇA – EXERCÍCIOS DE COMPOSIÇÃO | Ministrante: Coletivo Moebius

Dia 17 de junho, domingo, às 15h, na Casa Bosque (Rua Dona Gabriela 107 – Menino Deus)

Sinopse: Corpo, espaço e jogo. Na oficina de Exercícios de Composição, serão utilizadas ferramentas do teatro e da dança para experienciar pequenos processos de composição.

 

ARTES VISUAIS – OFICINA DE GRAFFITI |Ministrante: Jackson Brum

Dia 18 de junho, às 14h, no Vila Flores – Ap 2D – Estúdio do artista (R. São Carlos, 753 – Floresta)

Sinopse: Breve apresentação da história da street art e graffiti, contextualizando e fazendo contato com imagens e conceitos. Princípios de cores e técnicas de coloração (luz e sombra, degradê, sfumato), exercícios com lápis de cor, sobre degradê e luz e sombra no desenho, são alguns recursos utilizados, bem como exercícios básicos com tinta. Outros aspectos como análise de materiais (tag), contato com materiais que são utilizados para fazer pintura mural e/ou graffiti, exercícios para criação de tags, que são as assinaturas dos graffiteiros. A experiência pretende ainda passar por estudo dos estilos de letras tradicionais no graffiti (throw-up e wild style), exercícios para desenvolvimento de letras, prezando pelo desenho autoral do aluno e a prática do graffiti.

 

DANÇA – O CANTO ALÉM DA TÉCNICA: A EXPRESSÃO DA VOZ CANTADA | Ministrante: Adriana Deffenti

Dia 18 de junho, às 14h, na Pinacoteca (Rua Duque de Caxias, 973 – Centro Histórico)

Sinopse: Como no teatro, no canto há texto e subtexto na canção. A melodia também é um discurso, entoado em conjunto com o texto. Muitas vezes o estudo e prática do canto se apoiam nas habilidades do corpo em produzir determinadas sonoridades, mas onde a técnica encontra a emoção? Como construir um “subtexto da canção” e onde ele começa e termina? A partir de canções escolhidas pelos participantes, a oficina busca desenvolver, em grupo, um discurso verbal e musical da canção, dando sentido ao que se canta, derrubando as pontes entre a técnica e a interpretação. A performance em aula é individual, mas todos assistem, comentam e, por vezes contribuem na performance dos colegas.

 

TEATRO – VIVÊNCIA COM BONECOS HÍBRIDOS | Ministrante: Cia Atimonautas – Teatro de Bonecos

Dia 19 de junho, às 9h, no Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835 – Centro Histórico)

Sinopse: Vivência de manipulação de bonecos híbrido/habitáveis com troca de experiências sobre o processo construtivo dos personagens. Nesta vivência o publico poderá conhecer o processo de criação dos personagens através desenhos, fotos e vídeos; entender a motivação para criação para cada uma das cenas do espetáculo (DE)COLAGEM, assistir as cenas da performance com explicação das técnicas de manipulação de bonecos; e explorar a relação boneco x ator/manipulador em suas diversas possibilidades de interação.

AUDIOVISUAL – VIVÊNCIA EM ESTÁTICAS DE VÍDEO ARTE E PERFORMANCE | MinistranteS:  Bruno Barreto e Bruno Polidoro – Besouro Filmes

Dia 23 de junho, às 15h, no Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835 – Centro Histórico)

Sinopse: A aula prática e conceitual levará os participantes a um mergulho em referências estéticas de vídeo arte e performance, além de exemplos de documentários não tradicionais, de cunho mais poético e desconstrutivo. Após essa apresentação expositiva, será desenvoldia uma atividade prática de captação de imagens, com apresentações de técnicas básicas de operação de câmera e desenho de luz, instigando a construção, em grupos, de imagens conceito a partir de fragmentos de textos de Caio Fernando Abreu. Em um exercício coletivo, os alunos receberão esses trechos de obras de Caio F. e terão um tempo para captar imagens que representem a subjetividade do texto. Após esse momento, o material será projetado e uma conversa se desenvolverá visando pensar a relação entre cinema, audiovisual e literatura, onde o texto impulsiona a construção de imagens.

 

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