Conexão Floripa: O Rappa em Biguaçu

Conexão Floripa: O Rappa em Biguaçu
Texto por Ana Beise
Fotos por Márcio Fontoura

Véspera de feriado, todos os caminhos levavam a Biguaçu, cidade da região metropolitana de Florianópolis, para conferir o que parece ser uma das últimas apresentações do conjunto O Rappa. Com mais de vinte anos de carreira e dez álbuns lançados, a banda atualmente formada por Marcelo Falcão, Lauro Farias, Marcelo Lobato e Xandão, anunciou em maio que no fim deste ano fará uma pausa por tempo indeterminado e faz uma mini turnê por Santa Catarina neste feridão (entre 14 e 16 de junho), apresentando o show de seu mais recente trabalho: Acústico Oficina Francisco Brennand, quarto álbum ao vivo da banda, lançado em 2016.

O disco foi gravado na galeria de arte a céu aberto Oficina Brennand (a oficina histórica, na cidade de Recife, no estado de Pernambuco, abriga as criações do escultor e artista plástico Francisco Brennand, de 89 anos) e é o primeiro eletroacústico do grupo. Um espetáculo deveras díspar para quem está acostumado com os shows elétricos, empolgantes e pesados do grupo. Com um arranjo diferenciado de instrumentos, como uma guitarra de 12 cordas, clavinete, piano elétrico, escaleta e os steel drums (tambores de aço). A apresentação tem dezessete músicas, sendo quatro delas, inéditas.

O show estava programado para iniciar próximo a uma e meia da madrugada desta quinta, no Centro de Eventos Petry, em Biguaçu, local com espaço para mais de seis mil pessoas e com amplo estacionamento, construção bacana, em madeira, me lembrando aqueles grandes locais de evento que tem no interior do Rio Grande do Sul, onde frequentei meus primeiros shows de Rock. Entrar lá foi meio que uma viagem no tempo, só que naquele tempo a cerveja não era tão cara nesse tipo de ocasião… Quando fui com um amigo no show do Roger Hodson, que aconteceu em fevereiro aqui em Floripa, ele comentou comigo que uma das peculiaridades dos shows por aqui é que, como tem poucos de grande expressão, mesmo que as pessoas não conheçam quem vai tocar, acabam indo, pela oportunidade de ver um possível grande artista. Vejo que a premissa se confirma, uma diversidade enorme de pessoas lá estava presente, desde patricinhas a rappers, tornando um dos eventos com ‘público Rock’ mais singulares que já vi.

Márcio Fontoura, fotografo que me acompanhava na noite de ontem, me chamou atenção para a configuração de palco atual do Rappa, colocando a bateria no canto à direita e ao fundo a percussão; na frente, o baixo; à esquerda na frente, o multi-instrumentista Lobato e ao fundo o guitarrista. Com Falcão começando a apresentação sentado, ao centro, com um violão, acompanhado de contrabaixo acústico, tocando Pescador de Ilusões. No decorrer da apresentação Falcão passeou pelo palco, agradecendo os presentes e comandando uma noite diferenciada. Que contou ainda com clássicas do grupo, em novas versões, como Cruz de Tecido, Anjos Pra Quem Tem Fé, 7 Vezes, Não Vão Me Matar, entre outras. Uma das coisas que me incomodou um pouco foi a acústica do local (além da seleção de músicas que tocava antes do show em si começar), em frente ao palco a qualidade do som estava muito boa, mas para quem estava atrás da pista vip e nas laterais, era necessário, por vezes, fazer um certo esforço para entender de que música se tratava.

Mas, pontos negativos à parte, foi uma apresentação bacana. Do meu ponto de vista, um tanto quanto inusitada a noite toda em si, mas é aquela coisa, se assim não o fosse, que graça teria ter colecionado mais a história desta madrugada para contar?

O Rappa ainda tem shows no estado nesta quinta na Festa do Pinhão, em Lages e sexta-feira, em Joinville. Se estiverem por perto, não percam!

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