Components lança álbum de estreia “A Capacidade de Retornar ao Estado Original”

É olhando para o futuro que o quarteto goiano Components fala de retorno, origens e o papel da maturidade nas transformações da vida no seu aguardado álbum de estreia. A banda apresenta em “A Capacidade de Retornar ao Estado Original” o frescor de suas composições, calcadas ora em instrumentações complexas, ora na simplicidade de temas cotidianos – de amores e decepções às mazelas do mundo.

Ouça: http://bit.ly/ACDRAEOSpotify

O trabalho é um retrato do Components entre a efervescência das ideias iniciais do projeto e a maturidade que já começou a surgir ao fim do longo processo da gravação de um disco. Canções como “Colisão Lunar” representam a fase inicial da banda, trazendo estrutura mais simples e uma aura mais alegre, enquanto a faixa-título e outras composições mais recentes apresentam uma musicalidade mais complexa que as anteriores, além de contar com uma visão conceitual mais estruturada.

Desde o início da banda, em 2015, o Components se prepara para lançar suas primeiras canções. O álbum se tornou possível quando o grupo recebeu o apoio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, com as demos sendo gravadas no Complexo Estúdio já no início de 2016. Gustavo Vazquez assumiu a produção e logo em seguida as gravações foram iniciadas no RockLab, em Pirenópolis e posteriormente em Goiânia. O processo, que seguiu até novembro do ano passado, entrou na fase final no início de 2017, quando o próprio Gustavo realizou a mixagem e masterização do material.

Ao fim dessa longa trajetória, de concepção ao lançamento, a banda vê com naturalidade a temática a que remete o título do trabalho. A capacidade de retornar ao estado original é, mais que uma volta ao passado, um reconhecimento da bagagem e experiência que o Components já traz.

Confira o clipe de “Seja Meu”: https://youtu.be/TJvdMf5Sstg

“É o caso de passar por situações que transformam, mas que permitem voltar à harmonia e equilíbrio em que se encontrava antes. Musicalmente essa figura é algo também verdadeiro pra essa experiência de primeiro álbum. Estávamos na angústia de expressar nossa música, nos transformamos e nos expandimos para criar este disco, essa primeira voz da banda. Agora que lançamos, completamos o ciclo: retornamos ao estado de angústia, de querer falar mais ao mundo – porém agora, com a experiência do primeiro lançamento”, reflete o guitarrista Gabriel Santana. Além dele, também responsável por sintetizador e voz de apoio, o Components conta com Hugo Rezende (bateria e voz), Matheus Azevedo (voz principal) e Miguel Viana (contrabaixo, sintetizador, piano e voz).

O álbum chega após o lançamento dos singles “Seja Meu” e “Utopia”, o último com participação especial de Beto Cupertino, do Violins (GO), e lançado com um vídeo. Em “Hipercosmo” e “Jardim dos Gigantes”, surge a segunda voz convidada: Patrick Maciel, da banda Bolhazul (DF). “Três Quadros” e “Fechado”, embora assinadas pela banda, são inspiradas por poemas de Lucas Bonfá (irmão do vocalista Matheus), enquanto “Sideral” traz Fabius Augustus como co-autor, que também participou do arranjo da faixa. Outra parceria lírica de destaque é Germano Pomba, que participou da criação das letras em sete das 11 músicas.

Assista o vídeo de “Utopia”: https://youtu.be/a0kgU3gr7d4

Confira tracklist e faixa-a-faixa abaixo

Em apenas dois anos de história, o Components chega ao primeiro álbum como um dos expoentes da cena rock goiana. A banda já passou por palcos importantes como Bananada e Grito Rock e fez parte da programação cultural das Paralimpíadas 2016, se apresentando na Fundição Progresso, uma das casas mais icônicas do Rio de Janeiro. Mais recentemente, marcou presença nos showcases da última edição do Vaca Amarela e se prepara para sair em turnê com “A Capacidade de Retornar ao Estado Original”.

Ouça o álbum:

Spotify: http://bit.ly/ACDRAEOSpotify

Deezer: http://bit.ly/ACDRAEODeezer

Google Play: http://bit.ly/ACDRAEOGoogle

YouTube: http://bit.ly/ACDRAEOYouTube

Soundcloud: http://bit.ly/ACDRAEOSc

Bandcamp: http://bit.ly/ACDRAEOBc

Tracklist:

01. A Capacidade de Retornar ao Estado Original – 1:12

02. Três Quadros – 3:00

03. Utopia (Part. Beto Cupertino) – 4:12

04. Submerso – 1:17

05. Sideral – 3:51

06. Seja Meu – 4:21

07. Hipercosmo (Part. Patrick Maciel) – 3:21

08. Fechado – 3:28

09. Colisão Lunar – 3:28

10. Memória de Infância – 1:18

11. Jardim dos Gigantes – 6:02

Components é:

Gabriel Santana – Guitarra, Sintetizador e Voz de Apoio

Hugo Rezende – Bateria e Voz de Apoio

Matheus Azevedo – Voz Principal

Miguel Viana – Contrabaixo, Sintetizador, Piano e Voz de Apoio

Projeto foi realizado com apoio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás – Fundo Cultural 2015, uma iniciativa do Governo de Goiás e da Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte.

Gravado no Estúdio Rocklab de fevereiro de 2016 a fevereiro de 2017 nas cidades de Pirenópolis e Goiânia. Produzido, mixado e masterizado por Gustavo Vazquez.

Todas as músicas escritas, arranjadas e interpretadas  por Components, com exceção de: “Sideral”, co-escrita e co-arranjada por Fabius Augustus (Smooth).

Vocais adicionais em “Utopia” por Beto Cupertino;

Vocais adicionais em “Hipercosmo” e “Jardim dos Gigantes” por Patrick Maciel;

Sino Tibetano em “Jardim dos Gigantes” por Biel Lara.

“Três Quadros” e “Fechado” foram baseadas nos respectivos poemas “Três Quadros Tortos” e “Fechado”, ambos da autoria de Lucas Bonfá.

“Três Quadros”, “Sideral”, “Seja Meu” e “Colisão Lunar” foram letradas por Gabriel Santana, Germano Pomba, Matheus Azevedo e Miguel Viana.

“Utopia” fora letrada por Gabriel Santana, Germano Pomba e Matheus Azevedo.

“Hipercosmo” fora letrada por Germano Pomba e Matheus Azevedo.

“Fechado” fora letrada por Matheus Azevedo.

“Jardim dos Gigantes” fora letrada por Germano Pomba.

Projeto Gráfico por: Components.

Fotografias por: Gabriel Santana, Hugo Rezende e Miguel Viana.

Edição fotográfica por Gabriel Santana, Hugo Rezende, Méria Cristina, Miguel Viana e Paulo Rezende.

Diagramação por Clara Lodi

Modelo fotográfico: Voltaire Vieira

Lançado por Fósforo Cultural. Distribuído digitalmente por Falante Records. ℗ 2017 Components.

Faixa-a-faixa

Por Gabriel Santana

1. A Capacidade de Retornar ao Estado Original

Na hora de pensar o álbum, queríamos fazer com que todas as faixas fossem conectadas entre si. Essa primeira instrumental foi criada tendo esse conceito em vista. Ela é bem isso: um desdobramento da próxima faixa, pra fazer uma introdução suave.

2. Três Quadros

Foi escolhida como abertura do disco justamente por ser uma das mais animadas. Como em outras canções do álbum, a letra surgiu de uma poesia de Lucas Bonfá, irmão do vocalista. A gente adaptou o texto pra caber na melodia que previamente já tínhamos feito. Essa prática é bem comum nas nossas músicas, letra é muitas vezes a última coisa que pensamos pra fazer as canções. Em Três Quadros já dá pra ver essa veia “onírica” que temos nas músicas, as letras muitas vezes tratam de temas esdrúxulos ou situações exageradas, mas que no interior do microcosmo da canção, e no grande contexto do álbum, possuem um sentido. É o que chamamos de “Rock hermético-simbolista”. Essa música basicamente fala de um protagonista enlouquecido com o mundo exterior e, por tanto, enclausurado em seu quarto. Um quê de surreal.

3. Utopia (Part. Beto Cupertino)

Outro resultado dos anos mais recentes da banda: com a ajuda do Jesus Germano (outro amigo nosso) fizemos essa canção “mórbida” que propõe na verdade uma “Distopia”, ao contrário do que o nome diz. Meio que fala um pouco da realidade que vivemos hoje, um mundo onde falta “lucidez” de parte da população, o que acaba dando brecha para que discursos que propagam ilusões (violência, ódio, preconceito, desamor, etc.) ganhem voz, transformando o mundo num lugar pior.

4. Memórias de infância

O mesmo caso da introdução, porém, esta comunica muito mais com a faixa que ela antecede. A melodia e harmonia desta vinheta é construída diretamente com a melodia e harmonia de “Sideral”, ao ponto de ser uma preparação mais incisiva para sua sequência do que no caso da vinheta anterior. Enxergo essa faixa como uma calma respiração entre o desconforto distópico de “Utopia” e a agitada ânsia por aceitação de “Sideral”.

5. Sideral

É um auto-plágio. É uma repaginação de nosso single “O Peso do Papel”. Basicamente uma versão mais depressiva do que a anterior, tanto por uma parte musical mais triste, quanto por uma letra um pouco mais melancólica. Apesar de ainda um tanto esperançosa, apresenta uma angústia bem maior do eu-lírico. Como o resto do disco, seu tema é mais pessoal, com o protagonista se indagando sobre aceitação no mundo.

6. Seja Meu

A música mais pessoal do disco. Apesar disso, seu roteiro cabe pra qualquer pessoa que já passou por alguém que não sai dos seus pensamentos, e por causa disso acaba adotando comportamentos pouco saudáveis.

7. Hipercosmo (Part. Patrick Maciel)

Junto de “Fechado”, uma das faixas que a letra veio antes da música. Surgiu de um desafio que nosso amigo Jesus Germano fez ao vocalista pra tentar musicar uma letra que parecia inviável pra esse formato. No meio da produção da música acabou que realmente ficou difícil completá-la, tanto é que o refrão passou por diversas versões. Acabou que só fomos dar ela como concluída depois que o Patrick Maciel fez sua participação nos vocais. Complicado falar do tema dessa música, até porque veio de um desafio tendencioso de “musificação”, mas me identifico bastante com o eu-lírico durante o verso, que parece falar de um sério problema de procrastinação e organização de tempo.

8. Fechado

Mais uma faixa criada recentemente, e na minha opinião, a faixa liricamente mais pesada do disco. Tem um clima bem sombrio e fala diretamente de um protagonista confrontado com as mazelas do mundo e inconformado com suas injustiças e tristezas. Veio de outro poema de Lucas Bonfá.

9. Colisão Lunar; & 10. Submerso

As duas músicas mais antigas da banda. Literalmente foram os primeiros riffs que pensei diretamente pro Components. Mas como era de se esperar, passou por diversas reformulações até chegar na estrutura e letra atual. Escolhemos elas pra integrar o segundo lado do disco pra contrabalançar com as outras faixas do lado B, que em geral são mais carregadas, lentas e melancólicas que as do lado A. Ela tem uma letra relativamente bem humorada, especialmente levando em conta a forma que é contada, porém, conta a história de uma hipotética tragédia cataclísmica. “Submerso” é a única faixa instrumental que já tínhamos antes de começar a produção do disco, antes ela servia como um fechamento pra “Colisão”. Decidimos separar as faixas pois vimos que a música funcionaria bem como uma faixa separada, além de funcionar perfeitamente entre as canções 9 e 11: seu final sugeria um “fade-out” legal, que acabamos transformando em um “fade-in” para a outra faixa.

11. Jardim dos Gigantes

A mais diversa do CD, foi a última faixa que compomos pro trabalho. Essa distância temporal entre a composição desta faixa e das outras é notória: a gente ouve guitarras mais disfarçadas e tímidas, harmonia relativamente mais complexa, com cromatismos e modulações, e pra fechar, a base da música trabalhada principalmente no piano, instrumento escutado somente nessa faixa. Liricamente, mais uma vez a música trata do tema recorrente de um protagonista deslumbrado e impressionado com o mundo exterior. Essa música é quase uma demonstração de várias idéias que já pensamos para o futuro da banda.

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