Homero Pivotto Jr.
Eu nunca fui muito afeito a futebol. Gosto, claro, mas não sou do tipo que sabe quem são os atletas da equipe, o ano em que o clube ganhou tal título ou o nome dos jogadores que fizeram história no time. Por não ter essa afinidade com o esporte jogado entre as quatro linhas, sempre tive dificuldade de entender por que ele é tão fascinante para alguns. Qual a graça de ver um bando de marmanjo correndo atrás de um pedaço de couro redondo? O que tem de tão atrativo em assistir isso ao vivo, dentro de um estádio cheio de gente estranha, comportando-se como selvagens para incentivar o grupo?
Mas aí, a ficha caiu. Num daqueles rompantes em que o cérebro faz analogias que fogem à nossa razão, me dei conta que a paixão que milhares de pessoas têm pelo futebol é semelhante a que eu e um sem número de humanos têm pela música. E gostar de som e não comparecer a shows é como ser fanático pelo esporte que tem Pelé como ídolo e não prestigiar jogos nos estádios. Tanto as apresentações musicais quanto as partidas ao vivo servem como rituais tribais de libertação, uma espécie de catarse coletiva. Ali,todos são iguais. Apesar de muitos não se conhecerem, compartilham de gostos em comum. É uma alternativa para exorcizar os demônios do cotidiano, de extravasar as frustrações e de purificar a alma e a mente entregando-se ao momento, deixando que o barco siga seu rumo sem saber onde será o fim da jornada.
Já havia me dado conta disso há certo tempo. Porém, no dia 27 de março de 2012, durante o show de Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine, no Beco, em Porto Alegre, o raciocínio ficou mais claro.














