Call The Police – A Imortalidade das Canções

Call The Police – A Imortalidade das Canções

Em tempos em que as bandas “cover” ou ditas “de tributo” disseminam aos montões por aí, já não só em festas de casamento e  bares noturnos, mas também lotando teatros e grandes casas de shows, assistir o “Call the Police” se anunciava como um baita programa para sábado à noite.

Afinal, o grupo que se apresentaria no Auditório Araújo Viana, na Redenção, era formado por integrantes de bandas do primeiro escalão do Rock Brazuka – o baixista Rodrigo Santos, do Barão Vermelho, e o baterista João Barone, do Paralamas do Sucesso -, e um dos membros fundadores do próprio “The Police”, o guitarrista Andy Summers.

Um cover de luxo, pode se dizer, mas ainda assim um cover. E quando se tem um cover, a comparação com o original é inevitável. Será que eles estariam à altura do lendário trio que surgira no final dos anos 70, encantando o mundo com sua mescla de punk, reggae, rock e jazz?

Apagaram-se as luzes, rolou uma breve gravação de um pot-pourri de canções com referências à police – como, por exemplo, “Police and Thieves”, na versão do Clash -, e, atendendo ao chamado, a banda entrou tocando a vibrante Synchronicity II, sem aparatos tecnológicos, telões ou músicos de apoio; apenas o power trio, na essência, como era o “The Police”.

A primeira impressão foi de estranhamento, observação, julgamento. Aos poucos, entretanto, deu pra sentir que havia honestidade na proposta.

Não há dúvida que João Barone é um grande baterista e não se pode negar que o “Paralamas”, ao menos no início, se inspirou muito no “Police”. Assim que alguns truques, rolos e levadas “copelandianos” brotaram naturalmente das baquetas de Barone, que tocou numa Tama cujo bumbo tricolor referenciava a capa do álbum “Synchronicity”. Enfim, o cara mostrou que “conhece o riscado”.

Para Rodrigo Santos tocou o desafio mais íngreme: substituir o insubstituível Sting – a voz, o rosto, o baixo, talvez a alma do Police. E, guardadas as devidas proporções, o cara deu conta do recado. Conseguiu sincronizar bem o baixo – econômico, mas pulsante – com os vocais. Por vezes, se fechássemos os olhos, parecíamos estar ouvindo o próprio Sting, tamanha a semelhança de timbre da voz. Com boa vontade, aliás, até de olhos abertos, já que Rodrigo vestia uma camisa preta justa, gola em “V”, e um boné retrô, bem ao estilo Sting.

Numa merecida reverência àquele que representava a história viva do Police, a cozinha abriu bastante espaço para solos e improvisos de Andy Summers que justificaram o posto de 85º melhor guitarrista de todos os tempos a ele atribuído pela revista Rolling Stone. Mas, cá pra nós, se houve alguns poucos titubeios durante o espetáculo, foram mais da parte de Summers do que de seus parceiros brazukas.

O repertório foi escolhido com precisão. Houve canções dos cinco álbuns do Police, algumas menos conhecidas, tais como Tea in the Sahara (uma de minhas prediletas), Bring on the Night e Hole in my Life, e, obviamente, não faltaram grandes sucessos como Roxanne, Message in a Botlle e I Can´t Stand Losing You, entre outros.

Afinal de contas, o público queria mesmo era dançar e cantar o refrão “So lonely, so lonely”, no ritmo pulsante dessa pérola que mescla ska e rock na medida certa; fazer o clássico coro com os braços pra cima na maravilhosa balada “Every Breath You Take” e repetir os consagrados “iô iô iôs” no bis apoteótico de “Every Little Thing She Does It´s magic”. E assim o fez com muita alegria e deslumbramento.

Um legado musical dessa envergadura certamente já foi, é e será revisitado por muitas bandas, em muitos lugares e por muito tempo. Um legado musical dessa envergadura permite que Andy Summers, aos  75 anos de idade, continue na estrada numa improvável (se voltássemos no tempo uns 30 anos atrás) parceria com a nata do Rock Brasileiro.

É claro que, diante de certa timidez de Summers, que fez recair sobre Rodrigo Santos a tarefa de interlocução com a plateia, sentiu-se um pouco a falta do carisma de Sting. Ainda assim, saí do espetáculo com a convicção de que a alma do “The Police” nunca fora o gigante Sting, o furacão Copeland ou o criativo Summers. A ALMA do “The Police” são suas CANÇÕES.

A obra que se desprende de seu criador e ganha vida própria, tornando-se livre para viajar infinitamente no tempo e espaço sob os mais variados formatos.

Texto: Rejubamorgan
Fotos: Camilo Bassols

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