Feliz aniversário, Bernard Purdie!

Sabem, caros leitores, hoje é um dia especial no mundo da música. Dia 11 de junho é um dia de celebração do groove, dos ritmos e tempos elusivos e apaixonantes de um baterista que já gravou com deus e o mundo. De fato, ele é o baterista que mais participou de gravações na história – e ele ainda vive. É aniversário de Bernard Purdie, o Pretty, inventor do purdie shuffle, uma batida característica que já embalou muitos sucessos por aí. Vamos dar uma conferida em um pouco da vida e da carreira desse estupendo baterista!

Nascido em Elkton, Maryland, uma cidadezinha interiorana dos Estados Unidos, em 1939, Bernard foi o décimo primeiro entre 15 filhos. Tocando desde os seis anos de idade, o cara criou uma identidade própria e marcante que transborda para todos os seus trabalhos. Ainda nos anos 60, “Pretty” Purdie ingressou nas fileiras dos “Kingpins” do lendário King Curtis, e em 70 começou o processo de se tornar o baterista favorito de Aretha Franklin. De lá pra cá, já foi tanta gente que requisitou seus trabalhos que a gente até perde a conta. Alguns dos trabalhos mais notáveis foram com James Brown (Cold Sweat, Say It Loud-I’m Black And I’m Proud, Get On The Good Foot), B.B. King (Completely Well, Guess Who), Miles Davis (no lendário e emblemático Bitches Brew), e Steely Dan (Aja). Se você quiser uma explicação do próprio Purdie sobre esse estilo que o torna tão único, dá pra conferir aqui e aqui.

A revista Drum! fez uma entrevista com o nosso herói lá nos idos de 92 e ele disse algumas coisas bem interessantes. Acho que dar uma olhada em alguns pontos dessa entrevista vai nos ajudar a ter uma dimensão do que é Bernard “Pretty Purdie. Vamos dar uma olhada:

DRUM!: Você gravou algumas sessões na Motown. Com quem você trabalhou?

Purdie: Foram muitas pessos diferentes, eu gravei por volta de 500 faixas. Uma delas foi uma maravilhosa “Can I Get A Witness”, de Marvin Gaye. Nós estávamos gravando as faixas em Nova Iorque, e elas estavam sendo levadas para Motown, para Detroit. Basicamente, o que eles estavam fazendo era um overdub nas faixas que nós já tínhamos feito em Nova Iorque. Foi assim que eles se safaram pagando só o dinheiro das demos. O “som de Detroit” é metade Nova Iorque.

[…]

DRUM!: Eu ouvi dizer sobre o incidente de um cara que ficou bastante chateado quando ele soube que não era o Ringo tocando em algumas faixas dos Beatles?

Purdie: Chateado não é a palavra! Minha vida foi ameaçada por algumas pessoas. Esse homem me ameaçou ao vivo, no ar – o cara da rádio estava comigo numa conferência por telefone, e esse homem se identificou e depois veio me ameaçar. E o disc jockey disse “Calma lá, meu bom! Nós não queremos isso. O que nós queremos é a verdade”. Isso me impediu de nomear todas as músicas. Eu fui pago pra fazer um trabalho, e é isso que eu estive fazendo. Acabou sendo que aquele foi um dos grupos para quem eu trabalhei. The Animals, The Monkees, Tom Jones, você aponta! Praticamente cada banda britânica veio pra cá. E foi isso que eu fiz. Eu tinha que substituir a bateria. Algumas vezes o baixo e a guitarra eram substituídos na gravação. Mas esse jeito de viver, isso era um trabalho. E era assim que eu via isso. E então quando chegaram os anos 70, as pessoas começaram a ser creditadas nos álbuns. Então eu comecei a dizer que queria meus créditos, também.

[…]

DRUM!: Qual você diria que foi o ponto alto da sua carreira?

Purdie: Eu ainda acho que o ápice foi ter tocado com Aretha Franklin. Outro ponto muito alto foi lá com o Jeff Beck. Nós (a banda de Aretha) estávamos na estrada de 70 a 75. E então eu voltei em 78 e 79. Mas no meio disso, em 75 e 76, eu estive com Jeff Beck. Foi quando eu era uma super estrela. Foi como o paraíso. Nós tívemos bons tempos, e eu não fiz nada além de tocar. Eu ganhei uma boa grana, muita grana! Viajar o mundo na primeira classe, hotéis, limosines. Eu não fiquei cheio de mim – eu já era cheio de mim!

(Se você quiser conferir a entrevista na íntegra, em inglês, clique aqui)

Ficam aqui, portanto, os nossos desejos de um feliz aniversário, de muito mais anos de vida e de música para esse simpático senhor que ajudou a definir a música popular como a conhecemos.

Por Ismael Calvi Silveira

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