A liberdade nunca é plena – T.S.O.L em Porto Alegre

Saiba como foi o show do quinteto californiano na Capital gaúcha.

Texto: Homero Pivotto Jr.

Fotos: Sérgio Caldas

O show do T.S.O.L (True Sounds of Liberty) em Porto Alegre, nesta segunda-feira, 17 de junho, foi num dia em que a palavra liberdade esteve em voga. Uma, porque o grupo californiano que tocou para cerca de 300 pessoas no Opinião carrega em seu nome o título de ‘verdadeiro som da liberdade’. Outra, porque dezenas de milhares de pessoas foram às ruas da Capital gaúcha, assim como em outras partes do Brasil, fazer barulho em prol dessa tal liberdade – sem trocaralhos do cadilho com o pagode do Só Pra Contrariar, por favor. Enquanto Jack Grisham (voz), Ron Emory (guitarra) e Mike Roche (baixo) – trio que restou da formação original –, acompanhados de Greg Kuehn (piano e sintetizadores) e Anthony Biuso (bateria), mostravam um pouco do calor californiano em meio ao frio do Rio Grande do Sul, o clima na cidade-sede do estado pegava fogo. Para quem trocou a manifestação pelo ‘tiésseouel’, restaram informações do front jogadas ontime nas redes sociais por iPhones e smartphones alheios. Afinal, dizem que a revolução não será televisionada. Não, esse texto não é sobre os protestos. Mas seria leviano ignorar que um evento dessa proporção acontecia na mesma data em que o motivo para estas mal-traçadas linhas serem escritas. Dado o recado, voltemos à nossa programação normal.

Escalada para o show de abertura, a banda C.F.C, de Canoas (região metropolitana), entrou em ação por volta das 21h para fazer um curto apanhado de seus 22 anos. Durante aproximadamente 20 minutos, o quinteto apresentou seu crossover altamente influenciado por Suicidal Tendencies. Em meio a sons como ‘CFC’, ‘Não Desista’ e ‘Ninguém te Controla’ (nome do primeiro full-length, de 2010), o vocalista Renato falou da honra em representar a cena independente da região naquele momento, fazendo as honrarias para a atração principal.

 

Por volta das 22h, o quinteto de Long Beach deu as caras com ‘World War III’. A partir desse momento, o que se viu foi uma performance convincente. Grisham – que lembrou Walter Mercado por causa do visual – conversou com o público e fez revelações: uma foi o baixista Mike Roche ter trocado os direitos sobre o nome da banda por dinheiro para comprar drogas; outra, foi sua irmã ter casado com Joe Wood. Já Biuso provou que os 10 anos de banda não foram à toa, ganhando até espaço para um solo de bateria. Ron, econômico, mostrou serviço com simplicidade. Mike e Greg também tiveram bons momentos, ainda que mais discretos que os dos colegas.

No repertório, predominaram faixas dos três primeiros registros e da fase pós-2000. Entre elas, ‘In My Head’, ‘Sounds of Laughter’, ‘Terrible People’, ‘Superficial Love’, ‘Dance With Me’, ‘I´m Tired of Life’, ‘Fuck You Tough Guy’, ‘Beneath the Shadows’, ‘Abolish Government’, ’80 Times’, ‘Wash Way’, ‘Sodomy’, ‘Cold Blue’, entre outras. Se em São Paulo o grupo atendeu o público depois da apresentação, em Porto Alegre os músicos deixaram a casa de shows pouco depois de saírem do palco. Mesmo com o clima tenso do lado de fora, eles foram a pé para o hotel sem cara feia. Entre sirenes de polícia e barulho de helicópteros, o verdadeiro som da liberdade recolheu-se. Mas não se calou.

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