Som pesado no Morrostock 2012: um pouco sobre a primeira noite de shows do festival

Veteranos do punk nacional: Invasores de Cérebro tocando no festival Morrostock 2012

Homero Pivotto Jr.

Colaboração: Paulo Caramês

O festival Morrostock deste ano apresentou algumas novidades. Uma delas é a mudança completa de local. Em 2012, toda a programação musical do evento – que conta ainda com debates, workshops, oficinas e outras atividades ligadas, principalmente, à sustentabilidade e produção da cultura independente – foi transferida para o Sítio Picada Café, em Sapiranga. Em anos anteriores, ao menos as noites dedicadas ao som mais pesado (metal,  punk/hardcore e afins) rolavam no Bar do Morro, ao pé do Morro Ferrabraz, também em Sapiranga.  Porém, desta vez, até mesmo as atrações voltadas às vertentes mais infernais do rock apresentaram suas lindas barulheiras no palco montado na nova sede do Morrostock.

Em 2012, a tradicional ‘noite pesada’ foi acomodada no dia 11 outubro, véspera de feriado.  Com a troca de local, parte do púIiblico e alguns dos grupos que se apresentariam no festival tiveram dificuldade para encontrar o novo pico. Mesmo com o cuidado da organização em espalhar placas pelo caminho para orientar o pessoal, houve gente que não encontrou o lugar com facilidade. A excursão em que este escriba estava, por exemplo, saiu de Porto Alegre por volta das 20h e só achou o destino perto da meia-noite. Foram aproximadamente duas horas rodando dentro de Sapiranga sem passar por nenhuma sinalização indicativa de como chegar até o festival.

A previsão, na primeira noite com música ao vivo do Morrostock 2012, era de a primeira banda começar às 21h30min.  Porém, as apresentações iniciaram por volta das 23h30min. Quem abriu os serviços foi a banda Tomate Seco. Quando chegamos, a banda Ferrolho, segunda a apresentar-se, mostrava seu punk rock nervoso no palco montado sob uma estrutura a céu aberto coberta com tendas. Apesar da qualidade do som, ficou a impressão de que o Bar do Morro ainda se prestava mais para as performances dos grupos com sonoridade mais agressiva. Isso porque lá a palco era no nível do público e a parte interna do galpão onde rolavam os shows era menor. Assim, a proximidade artista/público era maior, facilitando a contato com o público. Era algo mais, digamos, interativo, e menos contemplativo.

Logo em seguida veio a F.A.R.P.A, de Porto Alegre, com seu crossover nervoso.  Depois, os santa-cruzenses da Porunspilla apresentaram toda sua ira sonora. A Ashes, da Capital, veio na sequência mostrar um som calcado no deathcore. A porto-alegrense RootsNR, que divulga seu recente primeiro disco oficial, batizado Vivissecção Humana – lançado após 11 anos de existência -, deu continuidade ao espetáculo. Peso e agressividade, mesclados com passagens rápidas e elementos percussivos são as marcas características no som dos caras. A insanidade segui-se com o hardcore cru e potente dos catarinenses da Homem Lixo, que tocaram pela segunda vez no Morrostock.

O Replicantes entrou em cena para fazer uma das apresentações com maior público. Enquanto nas anteriores a galera revezava-se entre a tenda de shows e circulando pelos outros espaços, o Replicantes conseguiu manter atento um público expressivo.Clássicos do naipe de ‘Chernobyl’, ‘Só Mais uma Chance’ e ‘Festa Punk’, e temas mais recentes, como ‘Maria Lacerda’, garantiram uma bela performance.

O trio Leptospirose, de Bragança Paulista, agitou a massa em seguida. Mesmo que a plateia tenha dispersado um pouco, a banda mandou ver em um show curto, mas insano. Músicas rápidas e curtas, executadas de maneira competente, mantiveram o pique da noite. ‘Sanduíche de Pimenta’ e ‘Eucalipto – Sal – Geladeira de Isopor – Surf’ foram alguns dos destaques.

O Invasores de Cérebro, grupo veterano do punk nacional, foi o seguinte. O vocalista Ariel (que já passou por bandas como Restos de Nada, Inocentes e Desequilíbrio), com sua atuação inquieta à la tiozão psicopata, fez quem estava com sono despertar. O repertório foi baseado em seus dois registros: Insavores de Cérebro e O Cérebro é uma Bomba Relógioo Cérebro é o Apocalipse. Teve até a participação do vocalista Índio (Condutores de Cadáver) em ‘Desequilíbrio’, clássico do Restos de Nada.

Pra rapar o tacho, já com o sol dando as caras no horizonte, ainda rolaram apresentações das bandas Grosseria, de Porto Alegre, e U.T.I, de Sapiranga.

Abaixo, confira uma entrevista com o pessoal da Leptospirose e outra com o vocalista Ariel, da Invasores de Cérebro.

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