Amanhã tem El Negro + Banda Cruzas da Argentina no Art & Tatto Club

Na ativa desde 2012, a banda porto-alegrense El Negro lança seu 2º disco, Tudo Vai Mudar, dia 9 de março no Art & Tatto Club. Regada a muito rock n roll, a noite ainda terá show de abertura dos argentinos da Cruzas, que estará em turnê pelo Rio Grande do Sul.  

O nome Tudo vai Mudar, assim como a mensagem do novo trabalho, é uma espécie de grito de esperança em tempos de erosão musical e em meio a um mar de desinteresse que existe no país no cenário musical, político ou em alguma dificuldade pessoal de cada um no dia a dia.

No show, além das músicas novas, não vão faltar petardos do álbum de estreia como Pé no Talo, O Ponto mais Alto, Canção da Estrada e Cinza.

Nome da banda é homenagem aos músicos negros do blues dos anos 30 e 40 e aos filmes do movimento Blaxploitation

Banda de Stoner Rock com influência do rock setentista e do blues dos anos 30 e 40, o nome El Negro é uma homenagem aos músicos negros que tocavam blues naquela época. Além disso, há também inspiração  nos filmes Blaxploitation, um movimento cinematográfico norte-americano surgido no início da década de 1970. O termo Blaxploitation é uma combinação entre duas palavras: black (negro) e explotaition (exploração). Esses filmes eram protagonizados e realizados por atores e diretores negros e tinham como público alvo, principalmente, os negros norte-americanos.

A El Negro é Mumu Bortholuzzi (guitarra e voz), Fabian Steinert (baixo) e Leandro Schirmer (bateria).

Ficha técnica:

Disco gravado entre setembro de 2016 a junho de 2017 no estúdio Toca do Bandido- RJ.
Produção: Felipe Rodarte
Gravadora: Toca Discos
Técnico de gravação: Leo Ribeiro e Raphael Dieguez
Participação especial: Jan Santoro (Facção Caipira), Carlos Carneiro (Bidê Ou Balde) e Tacho Cruzeiro (Cruzas-AR)
Captação de overdubs: Panama Estúdio Pub (Porto Alegre)
Capa: Leo Lage

Já os Argentinos da Cruzas desembarcaram no RS para shows

Entre os dias 7 e 18 de março, a banda argentina Cruzas faz sua primeira turnê internacional. A “Guillotina Tour Brasil 2018” divulga o disco mais recente. Durante os shows, o quarteto também deve executar uma versão para ‘Canção da Estrada’, dos amigos brasileiros da El Negro.

Cruzas é uma banda formada, inicialmente, como projeto de doom, blues, metal e sons alternativos pelos guitarras Alejandro Mastellone (Leke) e Mauro Cortés (Mauh), em 2003. Logo em seguida, foram convocados o vocalista Mariano Tarchini (Tacho) e o baterista Ariel. Por fim, o baixista Cristian Giglio (Titi) completou o conjunto. Algumas anos depois, houve uma troca na formação com a saída de Ariel e Mauh assumindo as baquetas.

Confira a entrevista feita por Homero Pivotto Jr com a Banda Cruzas

Por favor, conte um pouco sobre a história da Cruzas: como se formou, a trajetória de 15 anos, os momentos mais importantes da carreira…

Cruzas — Ale e Tacho formaram a Cruzas em 2003. No começo, a banda tocou muito pela circuito underground da zona sul da grande Buenos Aires. Em 2007, fizemos a primeira turnê nacional. Já entre 2008 e 2012, gravamos três EPs que são parte de uma trilogia (Viaje al Exilio, En búsqueda e De Una Vida). Também passamos pela costa atlântica da Argentina. Em 2013, Wilson entrou para o baixo e gravamos o quarto EP, El Zimple, já com maturidade sonora. Além disso, tocamos pela capital federal e pelo interior da província.

Em 2016, Leo assumiu a bateria e, em 2017, gravamos Volumen 5. Nesse mesmo ano abrimos o festival B.A Rock e continuamos tocando pelos bairros de Buenos Aires.

 

A banda é a atividade principal dos integrantes? Caso não, como dividem o tempo entre trabalhos ‘normais’, família e a dedicação à Cruzas?

Cruzas — Em geral, ensaiamos duas vezes por semana, depois de nossos trampos. Tentamos dedicar o maior tempo disponível que temos para tocar, ensaiar e organizar as coisas da banda.

 

Quais são as influências de cada integrante? E quais dessas bandas podem ser consideradas referências que ajudaram a moldar o som da Cruzas?
Cruzas — As influências individuais:

 

Tacho: Pappo’s Blues, Judas Priest, AC/DC, Pink Floyd e Spinetta.
Wilson: Melvins, Black Flag, Mudhoney e Ramones.
Leo: Soundgarden, NY Dolls, Wu Tang Clan e Rolling Stones.
Ale: Black Sabbath, Earth, Pentagram e Cathedral.

 

O som da Cruzas, como grupo, está moldado principalmente por Black Sabbath, Pappo’s Blues e o rock dos anos 90. Pelo menos acreditamos nisso! heheheh

Os membros da banda eram parte do mesmo cenário musical ou vieram de diferentes estilos, de backgrounds distintos?

Cruzas — Nos conhecemos de galeras distintas e de nos cruzarmos em shows e pela noite. Wilson toca em uma banda (Aire) que fez diversos shows com a gente. Já o Leo a gente conheceu indo curtir algumas gigs.

Como se definiu o som da banda? Desde o começo a ideia era fazer um rock pesado, misturando metal — principalmente o doom — e acrescentando elementos do blues?

Cruzas — Desde o princípio queríamos fazer stoner rock. Era 2003, Ale e Tacho vinham curtindo thrash local. Mas o mambo psicodélico sempre esteve presente. Atualmente, com a troca na formação nos atiramos mais para o doom, o hardcore e as sonoridades mais alternativas.


No Brasil há uma onda de stoner e sons similares. E na Argentina, como está o cenário para esse tipo de música?

Cruzas — Existe uma cena bem grande, com muitas bandas e lugares para tocar. Desde o fim dos anos 90 existem vários grupos desse estilo. E ultimamente as novas gerações parecem ter essa influência.

 

Que bandas conhecem e gostam aqui do Brasil? E do sul do país, tem algum artista que curtam?

Cruzas — Do Brasil, tem Sepultura, Forgotten Boys, Os Mutantes, Ratos de Porão, Hermeto Pascoal, Fuzzfaces e Muzzarelas. Do sul, a Motor City Madness e a El Negro.

 

Parece haver um cuidado com a produção dos discos da Cruzas. Vocês realmente pensam em apresentar um trabalho bem feito? A intenção é mesmo primar por materiais com qualidade, e não apenas gravações feitas de qualquer jeito?

Cruzas — No último disco, e com o impulso da nova formação, tivemos essa possibilidade de gravar em um estúdio bom. Ficamos muito satisfeitos com o resultado. Nos pareceu que era uma boa lançar o disco em vinil. Antes, fizemos alguns EPs. O Volumen 5 é o primeiro álbum completo.

 

O álbum mais recente, Volumen 5, foi lançado em vinil. É o primeiro que vocês disponibilizam nesse formato? Por que gostam desse tipo de mídia física? O registro foi pago pela própria banda, de maneira independente, ou há algum selo envolvido?

Cruzas — Sim, é o primeiro nesse formato e foi feito 100% independente. As capas foram impressas em serigrafia, uma a uma (de um toral de 300). É uma mídia que sempre gostamos e, dessa vez, tivemos a possibilidade de fazer exemplares. Até porque o som do disco novo está muito bom! O vinil tem mais corpo, realça as frequências e é único formato físico que teremos disponível.

 

O título Volumen 5 remete ao clássico Vol. 4, do Black Sabbath. Sendo o quarteto inglês influência declarada da Cruzas, seria o nome do novo registro uma espécie de homenagem aos ídolos?

Cruzas — Sim, todos gostamos de Black Sabbath e é uma homenagem aos caras. Vol. 4 é um disco emblemático deles, mas não sei se o nosso favorito. E, além disso, foi um jeito bacana de nomear nosso trampo, pois, depois de quatro EPs, ele é o quinto disco. Então, Volumen 5.

 

Essa é a primeira tour internacional da Cruzas. A opção pelo sul do Brasil foi pela proximidade geográfica com a Argentina ou há outras razões?

Cruzas — Conhecemos os amigos da El Negro, pois dividimos alguns shows na Argentina. Então, eles nos convidaram para ir tocar aí. Tacho esteve de férias pela cidade e conheceu a movimentação roqueira de Porto Alegre. Ele gostou bastante, pois a cidade é bem rock’n’roll.



Há planos de fazer giras em outros estados do Brasil ou mesmo em outros países?

Cruzas — Sim, temos essa ideia. Certamente este ano vamos tocar no Chile, México e Peru. Queremos apresentar o disco novo nesses lugares. Esperamos poder conhecer outras regiões do Brasil! Estamos com muita gana para mostrar o novo disco por aí.

Serviço do show:

– Data: 9 de março.

– Horário: 23h Cruzas (abertura) e 00:00 El Negro.

– Endereço: Av. Independência 936 (Porto Alegre)

– Valor do ingresso 15 e 20 antecipado e 25R$ na hora

– Link do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/298175284044474/

– Censura livre

– Capacidade da casa: 500 pessoas

– Mais informações sobre o show: https://www.facebook.com/artetattooclub/

 

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